Um encontro virtual, uma sensação real.

De súbito

no espaço virtual aparecem duas letras,

um simples OI,

e o desejo real de me adicionar.

 

Quão fantástica e maravilhosa é essa tecnologia

que nos traz próximas e presentes

pessoas distantes e assaz desconhecidas

e que, por um ato imprevisível,

como as linhas do destino,

tornam-se eternas em nosso caminhar.

 

Não foi uma surpresa, em principio, o simples OI;

pois é dessa forma que ocorrem as interações

nesse novo e majestoso mundo virtual.

 

O que me causou muita surpresa

foi a intenção subjacente

e conseqüente a essas duas letras – o simples OI:

um firme e obstinado desejo de migrar para o mundo real.

 

Quem estaria por trás dos dois caracteres?

Que dedos o imprimiram na tela do computador?

 

São duas letras que aparecem em sequencia no teclado,

mas que podem definir futuros imprevisíveis,

ou até mesmo, inimagináveis.

 

Muito fácil escrever o que não sentimos,

quando estamos protegidos pela máscara dos espaços virtuais.

 

Muito fácil nos definirmos por avatares,

por personagens criados por nossa imaginação,

quando um simples endereço de IP nos liga ao nosso interlocutor.

 

Podemos ter o sexo que imaginamos,

administrar riquezas que não possuímos,

ostentar o poder que não detemos.

 

Não era esse o desejo do simples OI.

Primava por um espaço real,

impunha-nos um encontro presencial.

 

Investigar o dono do OI foi o passo subsequente.

 

Até se pode interagir no ambiente virtual sem muita cautela,

pois no máximo um vírus poderá aparecer em nossa tela.

 

Mas a migração para o mundo dos reais exige muita atenção,

pois a presença física nos expõe e nos fragiliza.

 

Um amplo sorriso em um rosto alongado,

cabelos fartos e negros, cútis clara e tenra,

dentes cintilantes e levemente pronunciados,

sobrancelhas espessas, olhos amendoados,

uma certa meiguice no olhar,

um perfil jovem, feminino e adocicado,

em uma mulher firme, segura e despojada.

 

Uma bela visão para olhos atentos e experimentados.

Uma inquietação diante de um cenário que se desenha, que se constrói.

 

A jovem tem um passado, possui uma história,

acalenta consigo o fruto da primeira paixão:

um largo sorriso, que a acompanha em várias imagens

e que prima por expor a falta de um ou dois dentes,

registro seguro da tenra idade que possui.

 

Um jovem menino, que com ações lépidas e fagueiras,

encanta e seduz a genitora presente.

Mãe contemporânea, dona de seu destino,

que nem sempre consegue estar ao seu lado,

mas que sabe valorizar profundamente

todos os momentos em que juntos estão.

 

Cabelos emaranhados, voz um pouco grave e solene,

nenhuma maquiagem a protegiam do sol da manhã.

Essa foi a primeira imagem sua

que obtive em movimento no ambiente virtual.

 

Que mulher ousaria se mostrar

de cara limpa e recém desperta,

no seu primeiro encontro,

mesmo que este

se fizesse por meio da tecnologia,

em um mundo virtual?

 

Não sei bem a razão até hoje,

ou melhor, hoje bem o sei,

é sua forma natural de ser e de agir,

mas decididamente,

a pureza, a singeleza e a simplicidade do olhar

me encantaram desde o primeiro momento

e me guiaram para o mundo dos reais.

 

O primeiro momento presencial se deu dentro de um carro,

uma troca de olhares e um forte e controlado desejo de beijar.

Algumas palavras, um restaurante, e o desejo se fez realizar.

 

Estávamos então embalados pelas suaves notas do encantamento.

O cheiro doce do desejo enche o espaço interior do veículo

e deixa em cada um de nós a forte vontade de um novo encontro.

 

O ambiente virtual se fazia cada vez mais intenso e presente na vida do casal

e mitigava um pouco o desejo de estar sempre juntos,

impossível na modernidade

e impraticável diante da realidade de cada um dos dois.

 

Mensagens trocadas, vídeo conferências,

A tecnologia trazia bem próximo um casal distante.

 

O ajustar das agendas se impunha de modo recorrente,

e encontros presenciais eram estabelecidos como meta pelos dois,

cada vez mais.

 

Quatro paredes, uma visão linda da cidade,

um lençol macio e cheiroso, muito carinho,

selaram o primeiro encontro com mais afeto dos dois.

 

Um encontro sem relógios, sem telefones.

Um encontro de sorrisos, um encontro de encantos.

Cabelos molhados, pele cheirosa,

Um ar cotidiano, recortes de uma vida a dois.

 

Eram as primeiras descobertas,

eram os primeiros experimentos,

era a construção conjunta de acertos

sem a preocupação de que erros ou barreiras

dificultasse o percurso dos dois,

ao longo de suas jornadas.

 

Há momentos em que inquietações e dúvidas

perseguem cada um dos dois e os angustiam.

 

As sombras do passado teimam em se fazer presentes,

em tentar ressuscitar mortos mal inumados,

em concorrer com um novo futuro, cada vez mais pungente,

que vai, dia após dia, se construindo, se solidificando.

 

O telefone toca de forma recorrente.

O passado prima em se fazer presente.

 

Mas tudo está posto, embora mal, se faz resolvido.

Não adianta a insistência e a perseverança,

o coração não bate mais como antigamente.

Um novo sangue flui pelas mesmas veias,

um novo horizonte se define após a curva

que o destino conferiu ao casal enamorado.

 

Não há mais razão para a insistência, não há mais motivação para a luta.

Não há mais competidores, não há mais contenda.

 

A esperança nutre as veias do que se vê derrotado.

O jogo da incerteza alimenta o desejo e enfraquece a razão.

 

Muitos bastiões ainda deverão de ser construídos,

muitas pontes terão ainda que ser erigidas,

para que as águas fluam perenes e as marés sejam tranquilas.

 

É um construir conjunto – um após outro dia,

um descobrir coletivo, um sonhar associado,

um ressurgir a cada manhã, após a incerteza do ocaso.

 

Um desejo alimentado pelas forças do coração.

Um sonhar acordado, um dormir despertado,

um viver emoldurado pela presença do parceiro.

 

Um regar cada dia, um alimentar cada instante,

de modo que o futuro se faça presente

em cada segundo vivido,

sem as sombras do passado,

sem as marcas inclementes do tempo,

sem a diferenças forjadas pela idade.

 

Um beijo com muito carinho

e a certeza que o presente é reflexo do passado,

e que o futuro se constrói a cada dia

com as pequenas e efetivas ações

do viver cotidiano.

Anúncios

O sórdido e o sexo na dramaturgia televisiva contemporânea brasileira.

Já faz algum tempo que venho sendo compelido a escrever sobre como a dramaturgia contemporânea brasileira tem sido conduzida, principalmente em veículos de comunicação de massa, como é o caso da televisão. Tenho que externar, desde o princípio deste artigo, que não venho dedicando muito de meu tempo à televisão, e quando o faço os noticiários e os documentários têm me chamado muito mais atenção; pois gosto de ver os fatos da realidade cotidiana sob percepções, interpretações e perspectivas culturais diferenciadas, ou mesmo até narradas em idiomas distintos, cada qual com ritmo e musicalidade próprios. Mas os episódicos encontros com a dramaturgia televisiva brasileira têm me produzido uma sensação de desconforto e sobressalto, que associado ao compromisso acadêmico de refletir os fatos gerados pelas relações humanas e o compartilhar com meus estudantes e a sociedade, me fazem investir um pouco de meu tempo, me debruçar sobre as teclas do computador e dividir com os leitores preocupações e interpretações próprias das relações sociais contemporâneas, baseadas em fundamentações estéticas e estilísticas, visto que as sociais e psicológicas fogem um pouco de minha área de concentração do saber, considerando minha formação de arquiteto e urbanista, além de minha vivência e experimentação profissional nas artes cênicas.

A dinâmica da sociedade da pós-modernidade tem produzido nos seres humanos transformações significativas. O individualismo é o primeiro que se apresenta. O desenvolvimento de bens únicos, desenhos exclusivos e ajustados a cada usuário, bandeira levantada por Alvin Toffler em seu livro A Terceira Onda, uma contraposição direta ao modelo de produção em série do século passado, defendido por Henry Ford e que marcou o desenvolvimento industrial, tem dificultado sobremaneira as interações sociais, os trabalhos colaborativos e as relações mais duradouras. O resultado de tudo isso são famílias fragmentadas, vivendo em quartos individuais, se deslocando em automóveis não compartilhados, gerando níveis de estresses significativos e enchendo de veículos as vias urbanas. Gente que se isola em seus apartamentos ou em casas amuralhadas, que utiliza os grandes centros de compras como se praças, parques, ou outras servidões públicas fossem, que utilizam as redes sociais como uma tentativa de aproximação e comunicação, mas que na realidade têm dificuldade enorme de relacionamento em seus locais de trabalho ou estudo, indivíduos que cada vez mais necessitam aumentar a qualidade de suas vidas, ampliar os seus tempos de ócio e de convívio familiar e social. O ter cada vez mais se impõe diante do ser, o efêmero se torna duradouro e os valores éticos e sociais perdem, pouco a pouco, as suas referências e significados.

A exposição do corpo nu ainda é um grande tabu entre os brasileiros, como também não fácil para muitos entender e respeitar as relações e as interações de seres humanos do mesmo sexo. Talvez tudo isso seja ainda um reflexo tardio da dominação helênica do mundo antigo, e da forma de subjugar os vencidos submetendo-os inclusive a relações sexuais forçadas. A beleza dos corpos nus retratados por Fídias em suas esculturas que adornavam templos, palácios e as urbes gregas da antiguidade clássica, associada aos esportes olímpicos praticados sem as vestes, como uma forma racional de encaminhar disputas e de não se esconder estratégias escusas por baixo dos panos, ou ainda as relações e interações dos seres humanos realizadas em espaços comunais; tornaram-se perversões diante da filosofia implantada pelo conquistador romano, senso esse mantido pela religião em séculos posteriores, como uma forma prática de preservação da família e da ordem social. O natural e o humano perderam as suas forças e simplicidades diante da filosofia imposta por ditames, muitas vezes preconceituosos, de uma sociedade conservadora e autoritária.

A luta pelo poder e pelo acumular de riquezas também tem o seu papel nessa engrenagem complexa do desenho da sociedade contemporânea. O capitalismo enquanto filosofia deixa a sua marca na sociedade consumista da atualidade. O desejo é criado pelo empreendedor e o individuo é submetido ao marketing massivo que gera regras de comportamento. Muito mais importante do que ser, diante desse cenário, é parecer ser e as pessoas também se convertem em produtos dentro desse processo, tornando–se úteis e utilizáveis ou inservíveis e descartáveis. A dramaturgia entra dentro dessa lógica. A arte perde um pouco de sua essência distante da materialidade, de sua independência e de seu caráter subjetivo, e de certa forma lúdico ou como um mero entretenimento, e assume um papel de difusor de conceitos, propagandista de ideologias, fomentador de interesses – um trabalho vinculado ao capital. Claro que ainda há muitos artistas, em suas diversas formas de expressões, ainda muito ligados a essência do fazer artístico: intuitivo e descompromissado, um mero dom criativo conferido ao acaso pelo destino. Muitos desses artistas hoje se encontram com dificuldades de sobrevivência e de sustentabilidade.

A televisão, de forma diferente do teatro e do cinema, massificou a produção artística e necessita viabilizar suas realizações pelo entretenimento de seu público e consequente investimento de seus patrocinadores. Quanto maior a audiência maior o aporte financeiro dos investidores. O trabalho é descobrir matrizes de composição que possibilitem melhor relação custo – benefício. Nesse momento começam a aparecer soluções fáceis, práticas e pouco desejáveis ou artísticas. Afloram os tabus como forma de atração de platéia. Nesse momento se vê uma jovem de roupas de banho rolando sobre o chão, em um movimento descontextualizado, mas que objetiva vender um produto cerâmico aplicado no piso. Jovens belas que se apresentavam nuas nas telas são paulatinamente substituídas por rapazes que expõem seus corpos esculturais, uma demonstração tácita de que o público feminino é registrado, cada vez mais, como mais presente pelas agências de contagem de audiência. Até os Reality Shows são desenvolvidos com o objetivo de diminuir custos com atores e textos, substituindo–os pela simples exposição de serem humanos ao convívio social em espaços confinados. Conflito, agressão, romance, sexo, tudo parecendo muito natural, e às vezes é realmente, com foco no desejo de entreter o público. Um prêmio no final encerra o argumento e fomenta a motivação dos envolvidos, valor muito inferior ao custo de produção de uma novela, o que é bastante atrativo para o patrocinador e para a empresa de televisão. Da mesma forma alguns atores ou atrizes nas novelas são substituídos por modelos e manequins, com o objetivo único de entreter o público com seus corpos, embora muitas vezes apresentem um trabalho deplorável de interpretação. Os preconceitos também são levados para a tela como uma forma de atrair platéia. Nesse momento, por exemplo, o homossexual confere comicidade à trama, o negro põe uma pitada dramática no enredo, a dicotomia pobre – rico é levada ao extremo, muita coisa com baixa qualidade de texto e de interpretação, situações dramáticas que às vezes se distanciam da verossimilhança, que conferem credibilidade ao enredo, seqüências bastante forçadas em determinadas situações, e que, por esta razão, perdem as suas características estético – estilísticas de obra de arte.

Quem determina a mudança desse quadro é o controle remoto da platéia. Da mesma forma que demonstro preferência na televisão por documentários, e mudo de canal, leio um livro, escrevo um texto, vou ao teatro nos meus parcos tempos de ócio; cabe ao público, com a mesma singeleza do comprimir uma tecla, demonstrar os seus desejos. Precisa-se, é fato, de conhecimento e leitura, para se divisar novos horizontes, necessita-se da vontade para sair do estado atual, da zona de conforto. É fundamental a simplicidade para admitir uma falha, ou uma escolha incorreta; e daí mudar o rumo, escolhendo um novo percurso. O desejo do público no sistema capitalista é soberano e determinante, como indicador, para uma tomada de decisão com foco no retorno dos investimentos. É fato que a arte transcende a tudo isso, mas é real a necessidade de sobrevivência do próprio artista. Negar a realidade é sucumbir com ela. Não se posicionar diante de um tangível inconcebível é tão danoso quanto fechar os olhos diante da verdade. Cabe uma quebra de paradigma e entender que as grandes soluções são, de fato, as mais simples. Que um gesto, uma atitude, uma ação podem mudar todo um mundo; e que uma longa caminha se inicio no primeiro passo, que é o mais difícil e o mais significativo em qualquer rito de passagem.

Porto Rico: um pequeno país, um grande espetáculo.

Trepando Paredes, que adotou a denominação lusitana de Subindo pelas Paredes, é o título original em espanhol do espetáculo de Porto Rico, montado pelo Taller de Teatro de la Inter-Metro, pertencente à Universidad Interamericana de Puerto Rico, que está em curtíssima temporada no Teatro Celina Queiroz da Universidade de Fortaleza – somente nos dias 15 e 18 de maio, como parte das comemorações dos 40 anos da Fundação Edson Queiroz.

Uma das ilhas da América Central, com superfície de apenas 9.104 km², o que equivale a aproximadamente a área ocupada somente pelo município de Rio Branco, no longínquo Estado do Acre, de gênese cearense, e população de 3.913.055 de habitantes, um pouco maior que a da Região Metropolitana de Fortaleza, é Porto Rico; que teve nascedouro espanhol e desde o século XIX é território norte-americano. A ilha dista, em linha reta, 3.929 km da capital cearense, mas se leva praticamente um dia de avião para se chegar até lá; pois o percurso, além de passar pelas cidades brasileiras de São Paulo ou Brasília, tem obrigatoriamente que cruzar o território do Panamá, também na América Central. A Universidad Interamericana de Puerto Rico é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que por mais de 90 anos se dedica a capacitar estudantes nas diversas áreas do saber humanístico, social e científico; e que serve como ponte cultural entre os Estados Unidos e a América hispanófona.

O Taller de Teatro de la Inter-Metro possui 24 anos de existência, produzindo e apresentando espetáculos no próprio Porto Rico, como também na Espanha, Itália, Estados Unidos, México, Costa Rica, República Dominicana, Colômbia, Argentina e agora no Brasil. No entender do grupo “la cultura da a los seres humanos la capacidad de reflexionar sobre sí mismos, haciéndolos seres realmente humanos, racionales, críticos y éticamente comprometidos.” Este também é o pensamento defendido pela Universidade de Fortaleza, que entende que seu papel social transcende ao de pólo gerador e difusor do conhecimento e atinge à produção e a socialização da cultura. Esse pensar é o que mantém em funcionamento os cursos de graduação em Teatro e Artes Visuais, como também uma pauta permanente de grandes espetáculos teatrais e de exposições com renomados artistas locais, nacionais e internacionais.

A Internacionalização da UNIFOR também é uma realidade. No ano passado foi conferida pelo Ministério da Educação brasileiro o IGC (Índice Geral de Cursos) – 4 (valores que variam de 1 a 5) para a Universidade de Fortaleza e muitos de seus cursos, distribuídos nos quatro Centros de Ciência já possuem conceito máximo – 5, atribuído também pelo MEC. Esses resultados positivos estão conferindo bastante atratividade para os cursos de graduação, pós-graduação e graduação executiva; tanto em nível local, como nacional e internacional. Esse é o reflexo direto do envolvimento discente, e do trabalho docente e institucional na busca do aprimoramento contínuo das condições de oferta e das metodologias de ensino adotadas. Hoje a UNIFOR possui 55 estrangeiros fazendo as disciplinas da graduação e 77 de seus alunos em instituições parceiras. São 160 Universidades fora do país que enviam e recebem alunos e professores para a UNIFOR. São quase 2.000 estudantes e docentes, nos últimos anos, envolvidos nessa mobilidade internacional. Hoje a Universidade de Fortaleza já oferece 17 disciplinas em língua estrangeira, tanto para os estudantes de outros países como, e principalmente, para os acadêmicos brasileiros da UNIFOR, interessados nessa internacionalização do ensino superior.

Subindo pelas Paredes é uma comédia leve do autor Porto-riquenho Antonio García Del Toro – escritor, diretor Teatral e professor da Universidad Interamericana de Puerto Rico com graduação em Artes e doutorado em Filosofia. Ela faz uma paródia aos programas de televisão que apresentam concursos e que expõem as intimidades amorosas dos casais, um tipo de comédia muito parecida com a desenvolvida aqui no Ceará e que agrada tanto ao público local como aos turistas. O próprio título reflete bem esse clima de ansiedade lúdica conferido pelos concursos protagonizados pelos canais de televisão, que faz com que os casais subam pelas paredes. O texto é bem escrito, com diálogos rápidos e consistentes. A direção, também do professor Del Toro, é bem dinâmica e com a apresentação de situações cômicas que mexem bem com a platéia. Segundo o diretor, o espetáculo tem lotado os Teatros por onde têm passado e a platéia tem aplaudido de pé no final das apresentações.

A cenografia da peça é bem colorida e elaborada, explorando as novas mídias, muito presentes na sociedade Contemporânea. Componentes modulares, como tubos de PVC são utilizados de modo a garantir maior mobilidade ao espetáculo. A luz valoriza os componentes cênicos e destaca um coração partido enorme, definido em segundo plano, e que bem caracteriza os aspectos românticos, muitas vezes piegas, apresentados e explorados por alguns canais de televisão e que são parodiados pelo presente espetáculo teatral. A incorporação dos personagens por parte dos atores é impecável, como também as movimentações cênicas. Destaque deve ser feito ao protagonista Don Pepetevé, interpretado pelo ator Xavier Sánches, que com o seu bailado cômico leva a platéia ao riso. Figurino e adereços foram produzidos de modo a valorizar os personagens. Lili e Titi, interpretadas pelas atrizes Melissa Orsini e Samary Fonseca, dançarinas do programa de televisão representado pela comédia, causam vários momentos de riso na platéia, por materializam as ações pouca espontâneas dessas componentes de palco e que, com seus figurinos, expõem e valorizam deliberadamente as pernas das jovens atrizes, detentores de uma beleza barroca, pouco valorizada pelo ideário de formosura contemporânea.

Recomendo fortemente Trepando Paredes aos discentes de Teatro, como uma oportunidade de aprendizagem, e a comunidade local pelos momentos de comédia leve e sadia protagonizada pela Trupe e pelo contato propiciado com a cultura de outros países, dificultada em Fortaleza pela posição geográfica da cidade, tão distante das fronteiras com os países da América do Sul.

 

PAELLA MARINERA – a mi modo

INGREDIENTES:

Pescado (Atún, Caballa y Raya)

Aceite

Ajo

Cebolla

Salsa

Cebolleta

Caldo de Pescado

Calamar

Sepia

Mejillón

Almeja

Arroz

Azafrán

Pimiento Rojo

Pimiento Amarillo

Camarón

Gamba

Laurel

 

MODO DE HACER:

 

  1. Se cocina el pescado y se obtiene el caldo;
  2. Se divide el pescado en trocitos;
  3. Se cocina el arroz;
  4. Se calienta el aceite hasta hervir y se añade ajo y cebolla en trocitos;
  5. Se añade salsa y cebolleta, también en trocitos;
  6. Se añade el caldo de pescado a los trocitos de atún, caballa y raya;
  7. Se cocina por tres minutos, amalgamando bien, y se añade el arroz;
  8. Se añade el azafrán tras conferir el color amarilla al arroz;
  9. Se añade calamar, sepia, mejillones y almejas, y se cocina más un poco;
  10. Se añade los pimientos rojo y amarillo tras conferir los colores de España;
  11. No se mece más en el plato y se añade gambas y camarones precocidos;
  12. Se añade dos hojas de laurel;
  13. Se queda por unos quince minutos, en fuego alto, hasta que gambas y camarones se queden rojos;
  14. Se cubre el sartén y se baja el fuego por cinco minutos; y
  15. Está listo, ya se puede degustar – buen provecho.

DIGITAL CAMERA

Ensine-me a aprender

Personagens:

 ÍCARO, funcionário da sala dos professores
 CARLÃO, professor jovem e descontraído
 PITÁGORAS, professor velho e criativo
 LÍVIA, professora jovem e divertida
 PAULA, professora de meia idade e compenetrada

 

ATO ÚNICO

 

(Sala de Professores. Uma mesa grande, algumas cadeiras. Em um canto da mesa um laptop e um telefone. No lado superior direto do palco um telão com uma imagem de um televisor de plasma, no outro lado um quadro branco e alguns pincéis.)

CARLÃO: (Entra em cena com Pitágoras. Ícaro está digitando no laptop.) Pitágoras, o meu Vascão deu de lavagem ontem no Maracanã!

PITÁGORAS: Mas também contra o Olaria, até o América pinta o caneco.

CARLÃO: Eu não quero saber, só sei que foi goleada … 4 a 0. Placar para neguinho nenhum botar defeito.

PITÁGORAS: (Sorrindo) Quero ver é semana que vem contra o Fluminense.

CARLÃO: Vai ser outra lavagem.

PITÁGORAS: Estais muito confiante. Eu não sei se o teu Vasco está com essa bola toda.

CARLÃO: (Encostando a Caderneta do professor no laptop.) Cadê o Chupa-cabra? (Sobressaltado.)

(Congela a ação e aparece uma imagem do chupa-cabra e a seguinte informação no telão: Chupa-cabra – suposta criatura responsável por ataques sistemáticos a animais rurais em regiões da América. A imagem é substituída por um leitor de código de barras associado ao seguinte texto: Denominação vulgar para o leitor de código de barras utilizado para o registro de cadernetas de professor. A ação continua.)

ÍCARO: Professor, não vai mais ser necessária a utilização do leitor.

CARLÃO: Mas, por quê?

ÍCARO: O registro da qualidade agora vai ser efetuado através da anotação na caderneta do professor da frequência discente e do conteúdo ministrado em Sala de Aula.

PITÁGORAS: Conforme o Sistema de Gestão da Qualidade, Carlão, o nosso Plano de Ensino deve estar alinhado com o Projeto de Ensino, que por sua vez compõe o Projeto Pedagógico de cada um dos cursos de graduação. Os registros dos conteúdos no Mapa de Frequência têm de ocorrer logo após cada aula e é um momento de avaliarmos o planejado com o realizado e efetuar, caso necessário, correções de percursos.

ÍCARO: Professor, embora não tenhamos mais o registro através do leitor de código de barra, é fundamental manter o cumprimento dos horários e das atividades planejadas, para a perfeita operacionalização dos Planos de Ensinos elaborados.

PITÁGORAS: É, Carlão, alguns professores foram selecionados para testar o registro eletrônico da frequência. Se tudo der certo, logo estaremos utilizando uma caderneta eletrônica. Não haverá mais papel e nem teremos que preencher a caderneta e depois passarmos para o Sistema Acadêmico. Uma só operação através de um terminal de computador, ipad ou mesmo celular. Mas, é claro, que tudo isso é um processo e que, certamente, teremos etapas: primeiro o registro da freqüência e depois o dos conteúdos… Tudo tem o seu tempo.

CARLÃO: (Irônico.) É torpedo, blog, twiter, iphone, ipad … Daqui há pouco vou estar acendendo luzes e dando choque. (Brinca com a platéia.) Olha como tem vagalumes por aqui.

PITÁGORAS: São as inovações que a tecnologia nos oferece. (Sorrindo e se sentado na mesa com Carlão.) Parece até que temos as idades trocadas. Eu mais velho sou da Geração Y e tu és um Baby-Boomer.

CARLÃO: Geração Y? (Irônico) Estais embarcando com o Senhor Spock na Enterprise para mais uma Jornada nas Estrelas?

PITAGORAS: Ícaro, tu me emprestas o teu computador?

ÍCARO: Pois não, professor. (Levanta-se e sai de cena.)

PITÁGORAS: (Aparecem imagens engraçadas no telão, relacionadas com o texto, ao tempo que ele fala.)

TRADICIONAIS (até 1945) Enfrentaram guerra e depressão. Práticos, dedicados, gostam de hierarquia, permanecem no mesmo trabalho e se sacrificam por seus ideais.

BABY-BOOMERS (1946 a 1964) Filhos do pósguerra,  romperam padrões e lutaram pela paz. Têm relações de amor e ódio, são focados e preferem agir em consenso.

GERAÇÃO X (1965 a 1977) Enfrentaram crises violentas e desemprego. Buscam qualidade de vida, liberdade no trabalho e nas relações. Equilibram vida pessoal e profissional. São céticos e superprotetores.

GERAÇÃO Y (1978 a 1995) Infância com Internet, computador e educação sofisticada. Autoestima elevada e objetivos de curto prazo. Trabalham em rede e se nivelam com os superiores.

GERAÇÃO Z (a partir de 1996) Nasceram com a Internet. Convivem com a pluralidade de mídias. Convivem com os eletrônicos e a tecnologia. Facilidade em mudar. Concentram-se em mais de um foco.

A maioria de nossos alunos, meu caro, já é da geração Y e nós precisamos reconhecer essas diferenças para potencializar a nossa ação em sala de aula.

CARLÃO: Pitágoras, isso é discurso de marketista. As pessoas não mudaram, desde a préhistória. (Interagindo com a platéia.) Você mudou? A que geração pertences? (Sorrindo.) Aquela ali se escondeu só para não especularmos a sua idade?  (Sério.) Eu me sinto o mesmo. (Sorrindo.) Nem meus cabelos mudaram.

PITÁGORAS: Não é bem assim. As interações do homem com seu entorno o foram lapidando e moldando as suas relações. É claro que outros fatores atuam nesse processo e podem fazer… (Sorrindo.) de um jovem nascido na década de 70, como você, um velho Baby-boomer.

(Entram Lívia e Paula conversando.)

PAULA: (Para a Lívia.) Tu já foste à exposição? (Interagindo com a platéia.) Quem já foi à exposição? (Sorrindo.) Precisam ir!

LÍVIA: A do Espaço Cultural?

PAULA: (Sorrindo.) Agora que temos vários locais em que estão ocorrendo exposições tenho de especificar.

LÍVIA: Pois é, a Universidade, cada vez mais, assume o seu papel de difusão da cultura, além da geração e socialização do conhecimento.

PAULA: Ainda não, mas soube que está bastante interessante. (Interagindo com a platéia.) Vocês não acham?

(Se sentam à mesa, junto com Pitágoras e Carlão. Ícaro volta com o café e oferece aos professores.)

CARLÃO: (Sorrindo.) O Ícaro, depois que aposentaram o Chupa-cabras virou piloto de TV de plasma.

LÍVIA: Deixa de ser chato, Carlão. O Ícaro é muito atencioso. (Dirigindo-se para Ícaro.) Muito obrigado, Ícaro, pelo café. (Ícaro sai.)

PAULA: Tu sabes que eu achei muito interessante essa idéia da Televisão de Plasma. As informações ficam fixadas nas paredes e nem olhamos, já na TV … Chamam muito mais a atenção.

LÍVIA: Colocar o nome dos aniversariantes foi muito delicado por parte da instituição. Até hoje os meus aniversários tinham passado em branco aqui.

CARLÃO: (Sorrindo.) Tão se achando os próprios BBB. (Com uma câmera filma a platéia que aparece no telão.)

ÍCARO: (Voltando à cena.) Professor Pitágoras, tem um aluno querendo falar com o senhor no balcão.

PITÁGORAS: Muito obrigado, Ícaro. (Pitágoras levanta e Ícaro assume a sua posição no laptop.)

LÍVIA: Paula, está muito bonito este teu esmalte.

PAULA: As minhas unhas foram pintadas aqui mesmo no campus. Fui no Salão  na sexta, depois de minha aula.

CARLÃO: (Interagindo com a platéia.) Essa aqui parece que acabou de sair de lá.

LÍVIA: Não estava muito lotado?

PAULA: Na sexta é meio lotado mesmo, com alunos e professores, mas no inicio da semana é mais tranquilo.

LÍVIA: Estou precisando cortar o meu cabelo.

CARLÃO: (Interagindo com a platéia.) O daquele dali cortaram demais.

PAULA: Procura a Bibinha. Ela corta super bem e é muito atenciosa.

(Pitágoras entra em cena direto para o quadro e começa a escrever.)

PITÁGORAS: Olha que questão interessante!

CARLÃO: Lá vem o velho Pitágoras com seu Desafio da Semana.

PAULA: Deixe-o, Carlão. Ele está utilizando conosco das mesmas Metodologias Educacionais Ativas que aplica com seus alunos em Sala de Aula.

(Aparece no telão o texto: Metodologias Educacionais Ativas – estratégia pedagógica que posiciona o discente como sujeito de seu processo ensino – aprendizagem.)

LÍVIA: O pessoal da Saúde tem utilizado muito o PBL em suas aulas.

PAULA: Na Aprendizagem Baseada em Problemas, mais conhecida como PBL, são utilizadas situações problema, retiradas da prática profissional, como foco motivador e facilitador da aprendizagem, quer seja essa de conteúdos, procedimentos ou atitudes. Ela pode ser aplicada em qualquer área. Na Tecnologia o P de Problema é geralmente substituído pelo P de Projeto, pois nesse caso as soluções, de modo recorrente, são materializadas através de Projetos. (No telão imagens engraçadas utilizando os dois tipos de P.)

CARLÃO: (Irônico.) Quero ver esse pessoal da Pedagogia vir ensinar Cálculo aqui brincado de roda. Matemática é coisa séria! (Interagindo com a platéia.) Você não acha?

LÍVIA: (Repreendendo.) Tu és muito preconceituoso, Carlão.

PAULA: É possível sim, Carlão. É claro que para cada conteúdo existe a estratégia mais apropriada, inclusive a forma expositiva, geralmente, mais utilizada por todos nós. 

CARLÃO: Não sei o problema dos outros Centros, mas os nossos alunos ingressam aqui na Universidade com uma pontuação muito baixa. Eles não gostam de estudar mesmo. (Interagindo com a platéia.) Vou perguntar à Assessoria Pedagógica, ela deve ter vários gráficos coloridos sobre isso.  Ah! Agora quem está cuidando disso é o PTA, vou ver com eles.

LÍVIA: Nisso o Carlão tem razão.

PITÁGORAS: Não podemos negar a nossa realidade, mas temos que trabalhar com ela. Definir estratégias para conseguir melhores resultados.

PAULA: É uma questão de utilização da Aprendizagem Significativa.

(Aparece no telão o seguinte texto: A aprendizagem é significativa à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas previas de conhecimento discente e adquire significado para o aluno, a partir da relação com seu conhecimento anterior.)

CARLÃO: Isso é muito bonito na teoria, mas na prática, no chão de fábrica, no nosso dia a dia da Sala de Aula, não dá muito para essas práticas inovadoras. Eu tenho muito conteúdo a passar para os meus alunos e se for perder tempo com isso, não cumpro o meu programa. (Interagindo com a platéia.) Queres ver como há pessoas que pensam da mesma maneira que a minha?

PITÁGORAS: Carlão, não aches que os nossos alunos vão aprender só o que tu ensinares. O professor, antes de tudo, deve encantar, seduzir os alunos para o mundo do conhecimento. Os alunos têm necessidades distintas, demandas diferenciadas. Nós precisamos distinguir, dentro dos conteúdos definidos em nossos Projetos de Ensino, o que é fundamental – e esse conteúdo ministrar em sala de aula, o que é essencial, esse material deve ser disponibilizado em meio eletrônico e o que julgamos importante, que poderá ser repassado através da indicação de caminhos para a pesquisa, bibliografia a ser consultada ou mesmo esclarecido nas conversas, dentro de sala ou nos corredores do campus.

CARLÃO: (Irônico.) Isso me vai garantir um aluno nota dez?

PAULA: Não podemos garantir nada. A nossa missão é educar. É estimular, é informar, é entreter, é seduzir, como diz o Pitágoras.

CARLÃO: (Sorrindo.) Eu adoraria ser seduzido por você, Paula.

LÍVIA: Não dá para conversar, Paula. O Carlão não leva nada a sério. Tu estais perdendo tempo.

PAULA: (Sem se preocupar com a observação de Lívia.) Cada aluno vai construir o seu destino. Somos professores e não babás de alunos. (Interagindo com a platéia.) Acho que todos concordam comigo.

PITÁGORAS: Paula, dentro da forma mais objetiva que o Carlão gosta de tratar os assuntos, embora seja uma visão bem simplista, não é que vamos garantir alunos nota dez, vamos dizer: o aluno cinco é o que aprende o fundamental, o oito o essencial e o dez é aquele que passeia no importante. O importante mesmo é que o nosso aluno se dedique aos estudos não só para passar na disciplina, mas pelo gosto pela profissão e por uma aprendizagem de vida.

CARLÃO: (Irônico.) Muito bonito Doutor Pitágoras, mas os teus alunos são suíços, americanos, franceses ou alemães? Os meus brasileirinhos esquecem o que viram no semestre passado. (Interagindo com a platéia.) E os de vocês?

PAULA: A chave de todo processo, Carlão, é o significado que conferes ao conteúdo. Ou melhor, a relação que o aluno faz com a sua realidade, com o que já internalizou.

PITÁGORAS: Quanto tempo tu tens de casado, Carlão?

CARLÃO: Quanto tempo eu tenho de casado? Perguntinha meio fora de contexto, Pitágoras.

PITÁGORAS: Quanto tempo?

CARLÃO: Quinze anos, por quê?

PITÁGORAS: Tu te lembras do teu primeiro beijo? Pode, ou até, certamente não foi com tua esposa, mas lembras?

CARLÃO: Claro. (Irônico.) Vais querer que conte? Lembro-me até da primeira transa, mas não vais querer que conte aqui na frente das meninas? Foi do papoco!

PITÁGORAS: Tu te lembras do primeiro beijo, ou até mesmo de tua primeira transa, porque foram significativas para ti. Talvez não estejamos colaborando para que os nossos conteúdos tenham significado para os nossos discentes.

CARLÃO: Pitágoras, o aprendizado exige esforço. O aluno precisa ter vontade para aprender. Vir à aula não é a mesma coisa de ir ao cinema.

LÍVIA: Carlão, eu acho que quão mais próximo conseguirmos que o nosso ensino esteja do entretenimento, mais eficaz ele o será. (Interagindo com a platéia.) O que acham?

CARLÃO: (Irônico.) A velha teoria do brincar de roda.

LÍVIA: (Aborrecida.) Tenhas paciência, Carlão.

PAULA: Eu acho que é meio isso mesmo, Carlão.

CARLÃO: (Irônico.) Pois então me explique, minha cara amiga Paula, do alto do seu Pedagoguês…

(Aparece no telão o texto: Pedagoguês – denominação coloquial e pejorativa para referir-se aos conteúdos relacionados com a Pedagogia.)

Como se ensina Matemática brincando de roda?

PITÁGORAS: O nosso aluno participou do Processo Seletivo para os cursos de graduação da área Tecnológica. É claro que ele vai precisar conhecer bem os fundamentos da Matemática, da Física, da Representação Gráfica.

CARLÃO: Áreas que apresentam um desempenho pífio.

PITÁGORAS: Sim, é verdade. Cabe a nós favorecermos para que esses conteúdos tenham significância para o seu aprendizado.

CARLÃO: Sim, até compreendo, mas como posso fazer isso? (Interagindo com a platéia.) Acho que essa dúvida é compartilhada por muitos que estão aqui.

PITÁGORAS: Precisa fazer com que ele perceba a razão de estar estudando esses conteúdos.

CARLÃO: Isso é básico, se não passar nessas disciplinas não sairá do Básico. (Sorriso irônico.)

LÍVIA: Pitágoras, tu estais perdendo tempo com o Carlão. Ele não está dando a mínima para o que tu estás falando para ele.

PAULA: Esse conteúdo não é significativo para ele. No próximo intervalo de aula não lembrará de nada que estais falando.

PITÁGORAS: Penso que precisamos trabalhar em equipe. Aproximar os professores do Básico com os do Ciclo Profissional. Talvez até quebrar com esse paradigma do Básico. Se tivéssemos professores do profissional trabalhando no inicio de cada curso de graduação junto com os do básico teríamos resultados mais significativos.

PAULA: Acho até que ficamos meio divididos: professores do básico e do profissional, cada um com seus grupos específicos.

PITÁGORAS: É interessante que tenhamos disciplinas nos semestres iniciais, ministradas por professores do ciclo profissional, que utilizando metodologias educacionais ativas, confira significado aos conteúdos de física e matemática; pois na tecnologia, a grande maioria dos conteúdos tem uma explicação física, que pode receber uma modelagem matemática.

CARLÃO: Tu queres que os professores do ciclo profissional ensinem Física e Matemática?

PITÁGORAS: Não, de forma alguma, os professores do básico continuarão com suas disciplinas. Teremos outras com conteúdos diretamente relacionados com o exercício profissional.

PAULA: Se iniciarmos as disciplinas não pela Física ou pela Matemática e sim pelos conteúdos do profissional, teremos um maior envolvimento dos discentes, que repercutirá em melhores resultados de aprendizagem. Mesmo para os iniciantes, há conteúdos do profissional que podem ser repassados de modo a conferir maior motivação para os discentes. (Interagindo com a platéia.) Não acham?

PITÁGORAS: Usando o teu próprio discurso, Carlão. Se teu aluno gostar de esporte tanto quanto você, ele poderá visualizar o terceiro gol do Vasco como um fenômeno físico que envolveu força, trajetória, percurso, direção e que pode ser modelado pela matemática de modo a se quantificar cada uma dessas grandezas.

PAULA: (Sorrindo.) Se o futebol pode utilizar-se da matemática e da física, quanto mais a engenharia.

PITÁGORAS: Cabe a nós professores, desenvolver essas situações problema de modo a estimular os nossos alunos para a aprendizagem. Já há alguns livros, recém publicados, que tratam sobre o tema e trazem situações específicas para cada um dos cursos de graduação.

(O telefone toca.)

ÍCARO: Sala dos professores do Centro de Tecnologia…Sim, senhor. Estão sim. Professora Paula e professora Lívia, o Diretor pediu para irem na Sala dele.

PAULA: (Levantando-se juntamente com Lívia.) Com licença. Depois continuamos com o nosso papo.

CARLÃO: (Sorrindo.) Veja lá de quanto será o nosso aumento.

LÍVIA: (Sorrindo.) Quem entende de aumento é o Jairo. Pergunte a ele. Ele é locutor da Rádio Peão.

(Saem as duas com o Ícaro.)

CARLÃO: Pitágoras, eu vou aproveitar que estamos a sós para te pedir uma ajuda.

PITÁGORAS: O que foi?

CARLÃO: Tem um aluno dando em cima de mim.

PITÁGORAS: Uma aluna?

CARLÃO: Não, cara, um aluno, um rapaz.

PITÁGORAS: (Sorrindo.) Moderno, você.

CARLÃO: Não brinca, cara, eu estou sem saber como devo agir…

PITÁGORAS: E por quê tu achas que posso te ajudar? Não sou Psicólogo.

CARLÃO: É que tu és arquiteto e estais ensinando agora nas Belas Artes, deves entender bem do assunto.

PITÁGORAS: Estais de gozação comigo?

CARLÃO: (Circunspeto.) Não, cara, é sério. É sério mesmo. Preciso de tua ajuda.

PITÁGORAS: Tem três caminhos que podes adotar.

CARLÃO: (Ansioso.) Me diga.

PITÁGORAS: O primeiro é fazer de conta que não estais entendendo.

CARLÃO: É o que estou fazendo. Mas o aluno fica insistindo.

PITÁGORAS: Esse é o lado ruim dessa solução. A pessoa pode achar que tu não estás entendendo mesmo e continuar na perseguição do seu objetivo.

CARLÃO: Pois é. O rapaz fica marcando colado.

PITÁGORAS: A outra solução é chegar para a pessoa e abrir o jogo. Dizer a ele que essa não é a tua praia.

CARLÃO: E a terceira?

PITÁGORAS: (Sorrindo.) A terceira é tu saíres com ele. Pode ser até que tu gostes.

(Voltam as duas e pegam Pitágoras morrendo de rir e o Carlão sério.)

LÍVIA: Qual o motivo da graça?

(Carlão volta o olhar bem rápido para o Pitágoras.)

PITÁGORAS: (Sorrindo.) Não posso te contar. Conversa de homem. (Sério para o Carlão.) Carlão, agora sem brincadeira, independente do sexo é fundamental separarmos o pessoal do profissional. Evitar um envolvimento afetivo mais intenso com quem trabalhamos. Acho que o mais razoável seria esclarecer a situação, até mesmo se a questão envolvesse uma menina. O professor acaba sendo um símbolo para a grande maioria dos alunos, que nele se espelham. A postura do professor em sala: como age e o que fala, acabam marcando muito os discentes.

LÍVIA: Pitágoras, a Diretoria está querendo que aproveitemos a oportunidade de uma crescente demanda para os nossos cursos de graduação e comece a pensar na reestruturação dos nossos currículos para torná-los, cada vez mais atrativos para os nossos discentes.

PAULA: Talvez pensar em dar um caráter mais Integrado aos nossos Currículos.

(Aparece na projeção: Currículo Integrado – plano pedagógico que articula dinamicamente trabalho e ensino, prática e teoria, ensino e comunidade)

PITÁGORAS: Temos que pensar bem sobre o modelo de currículo que desejamos construir. Ele tem que refletir a nossa realidade e deve ser produzido a partir de nossos pares, ou seja, deve ser uma construção coletiva de todo o colegiado do curso, inclusive envolvendo a representação estudantil.

LÍVIA: Pitágoras, eu vi uma experiência interessante da utilização das ferramentas do ensino à distância para a graduação na área tecnológica.

PITÁGORAS: O ensino à distância, embora pareça algo bastante recente, vem sendo utilizado há muito tempo. Antigamente as revistas semanais ou mensais eram os veículos empregados para a formação ou capacitação de estudantes em diversas áreas e em todo o país.

CARLÃO: Os alunos preferem o ensino presencial. (Interagindo com a platéia.) Não acham?

PAULA: Considero que não seja excludente a utilização de um dos meios.

CARLÃO: Eles até namoram na Internet, mas querem a nossa assistência, quando a questão é o ensino.

PAULA: Acho que precisamos estimulá-los para que desenvolvam uma certa independência.

LÍVIA: E aí volta à baila o discurso sobre a utilização das metodologias educacionais ativas e o discente como sujeito do seu processo ensino-aprendizagem.

CARLÃO: Eu continuo meio cético com relação a isso.

PITÁGORAS: É um processo…Temos que dar tempo ao tempo.

PAULA: Já há muitos cursos tecnológicos experimentando ações inovadoras e precisamos nos colocar nesse contexto.

LÍVIA: O nosso Currículo ainda é muito Formal.

(Aparece no telão: Currículo Formal – Fundamenta-se na passagem de informações de professores para alunos.)

Temos que mexer um pouco nesse Estado da Arte.

PITÁGORAS: Vamos estudar um pouco a proposta do Currículo Interdisciplinar…

(Aparece no telão: Currículo Interdisciplinar – construído a partir da identificação e da definição de assuntos ou situações problema extraídos da realidade.)

Sei que a tônica hoje é o Currículo Integrado, mas vamos estudar melhor antes o Interdisciplinar para ver como nos comportamos, professores e alunos, diante dele.

CARLÃO: É melhor irmos com calma mesmo. (Interagindo com a platéia.) Posso até apostar que a grande maioria concorda comigo.

LÍVIA: Só não podemos é ficar muito tempo nos estudos e planejamentos. Gosto logo de colocar a mão na massa.

CARLÃO: (Sorrindo.) Se for para trabalhar de peão, estou fora.

LÍVIA: Lá vem o Carlão com as brincadeiras dele.

PITÁGORAS: Eu estive estudando nesse final de semana…

CARLÃO: (Sorrindo.) O Pitágoras quando quer descansar traz o seu neto para passear no campus. Pitágoras! Vamos tomar uma cerveja, ir para a praia!

(Começa a tossir.)

Estou com minha voz em migalhas.

PITÁGORAS: Veja se não é a cerveja ou o teu Vascão que está acabando com tua voz…

PAULA: (Sorrindo.) Tu falas demais, Carlão! (Séria.) Temos que economizar a nossa voz, pois dependemos dela para sobrevivermos como docentes.

LÍVIA: Vou te apresentar um professor da Fonoaudiologia; pois precisamos de nossa voz firme e forte pelo resto de nossa vida profissional.

 

CAI O PANO.

Percursos urbanos para viajantes

SUGESTÕES PARA VER E ESTAR EM UMA VIAGEM PELA EUROPA

Aproveitando a sua viagem de turismo e lazer, encaminho sugestões para conferir uma visão um pouco mais cultural a essa oportunidade. Tentei definir percursos que maximizem o prazer das observações, minimizando o esforço das caminhadas. Dependendo do interesse conferido por cada atração e por outras atividades gastronômicas, de compras e de lazer, comuns às viagens de turismo, os percursos podem ser interrompidos para serem retomados posteriormente. Divirtam-se e aproveitem à oportunidade de ampliar horizontes e conhecimentos. Boa viagem e diversão.

 

PARIS

 

Metrô até a Estação Trocadero:

  • Place de Trocadero (urbanismo);
  • Tour Eiffel (urbanismo);
  • Champs-de-Mars (urbanismo);
  • Musée Rodin (arte);
  • Hotel des Invalides (urbanismo e arquitetura);
  • Pont Alexandre III (urbanismo);
  • Grand Palais (arquitetura);
  • Petit Palais (arquitetura);
  • Champs Elisées (urbanismo);
  • Arc de Triomphe (urbanismo);
  • Parc Monceau (urbanismo);
  • Place Verdome (urbanismo);
  • Église de Magdaleine (arquitetura);
  • Rue de Rivoli (conjunto arquitetônico);
  • Place de la Concorde – Obélisque de Luxor (urbanismo);
  • Jardin des Tuileries (urbanismo);
  • Musée du Louvre (arquitetura e história);
  • Palais Royal (urbanismo e arquitetura);
  • Theatre L’Opéra (arquitetura);
  • Musée d’Orsay (arquitetura e arte);
  • Cathedrale de Notre-Dame (arquitetura);
  • Pont Neuf (urbanismo);
  • La Consiergerie (arquitetura);
  • Centre Pompidou (arquitetura);
  • Place des Vosges (urbanismo);
  • Quartier Latin (urbanismo);
  • Boulevard Saint Michel (urbanismo);
  • Université du Sorbonne (arquitetura);
  • Panthéon (arquitetura); e
  • Jardin de Luxembourg (urbanismo).

 Metrô até a Estação Anvers:

  •  Basilique du Sacré-Coeur (urbanismo e arquitetura).

 Metrô até a Estação Versailles:

  •  Château de Versailles (urbanismo e arquitetura).

 Vai de Táxi até o Moulin Rouge:

  • Moulin Rouge (gastronomia e cultura).

 Trem até a Estação de Marne-le-Vallée-Chessy:

  • Disneyland Paris (lúdico).

 

LONDRES

Metrô até a Estação Westminster

  • Westminster Abbey (arquitetura);
  • Buckingham Palace (troca da guarda – 11:30);
  • Houses of Parliament (arquitetura);
  • Big Ben Tower (arquitetura);
  • Sea Life London Aquarium (aquário); e
  • London Eye (roda gigante).

 Metrô da Estação Waterloo até a Estação Piccadilly Circus

  •  National Gallery (arte).

 Metrô da Estação Piccadilly Circus até a Estação Tottenham Court Road

  • British Museum (história).

 Metrô da Estação Tottenham Court Road até a Estação Baker Street

  •  Sherlock Holmes Museum (lúdico); e
  • Madame Tussauds (museu de cera).

 Metrô da Estação Baker Street até a Estação Hyde Park

  •  Hyde Park (urbanismo); e
  • Natural History Museum (paleontologia).

 Metrô da Estação Hyde Park até a Estação Regent’s Park

  •  London Zoo (lúdico e cultura).

 

BARCELONA

Metrô até a Estação Drassanes

  •  Plaza Colón (urbanismo);
  • Museo Marítimo (cultural);
  • Puerto de Barcelona (urbanismo);
  • L’Aquarium de Barcelona (cultural);
  • Barceloneta (gastronomia e lazer);
  • Estación Francia (arquitetura);
  • Parc de la Ciutadella (urbanismo);
  • Avenida Diagonal (urbanismo);
  • Teatre Nacional de Catalunya (arquitetura);
  • Torre Agbar (arquitetura);
  • Sagrada Familia (arquitetura);
  • Plaza de Toros Monumental (arquitetura);
  • Arc do Triomph (arquitetura);
  • Barrio Gótico (urbanismo);
  • Catedral (arquitetura);
  • La Rambla (urbanismo e gastronomia);
  • Museo de Arte Contemporáneo (arquitetura e arte);
  • Plaza de Catalunya (urbanismo);
  • Casa Milá (arquitetura);
  • Casa Batló (arquitetura);
  • La Pedrera (arquitetura); e
  • Propuesta Urbanística de Cerdá (urbanismo).

 Metrô do Passeig da Gràcia até a Estação Plaza de Espana

  •  Plaza de España (urbanismo);
  • Palácio de Monjuîc (arquitetura);
  • Pabellón Barcelona (arquitetura);
  • Museo Nacional de Arte de Catalunya (arquitetura e arte);
  • Escalera Mecánica (urbanismo);
  • Plaza Europa (urbanismo);
  • Torre Montjuîc (arquitetura);
  • Palau San Jordi (arquitetura);
  • Estádio Olímpico (arquitetura); e
  • Museo Miro (arquitetura e arte).

 Metrô até a Estação Vallcarca

  • Parc Güell (urbanismo).

 

ROMA

 Metrô até a Estação Circus Maximus

  •  Terme di Caracalla (arquitetura);
  • Circus Maximus (urbanismo);
  • Palatino (urbanismo e arquitetura);
  • Arco di Constantino (arquitetura);
  • Colosseum (arquitetura);
  • Forum Romano (urbanismo e arquitetura);
  • Fórum di Trajano (arquitetura);
  • Piazza Venezia (urbanismo);
  • Palazzio Venezia (arquitetura);
  • Fontana di Trevi (urbanismo);
  • Pantheon (arquitetura);
  • Sant’Ivo alla Sapienza (arquitetura);
  • Piazza Navona (urbanismo);
  • Palazzo di Giustizia (arquitetura);
  • Castel S’Angelo (arquitetura);
  • Piazza San Pietro (urbanismo);
  • Basílica San Pietro (arquitetura);
  • Capella Sixtina (arquitetura e arte); e
  • Musei Vaticani (arquitetura e arte).

 Metrô da Estação Basílica San Pietro até a Estação Spagna

  •  Piazza di Spagna (urbanismo);
  • Villa Borghese (urbanismo); e
  • San Carlo alle Quattro Fontane (arquitetura).

Deusa de Ébano

Tomado de surpresa,

Pego da pena e escrevo.

É mais um artista que se vai,

chamado pela voz altiva do Criador.

Pena me dá,

tristeza me toma a alma.

Lembranças me vêm

e me consolam o espírito.

Penso.

Tão nova e tão viva.

Que razões a levaram daqui?

Como o destino nos ensina a cada momento.

Como aprendemos a cada instante

a reconhece a nossa pequenez,

diante de um universo infinito.

Jovem, negra, serena e poeta.

Quantos se alegraram com tuas linhas.

Quantos se comoveram com teus escritos.

A cada mês um pensamento.

A cada festa novas palavras.

Palavras prolatadas por terceiros,

pois a poeta guardava para si o tom da fala

e marcava o papel

com as cores do carinho,

com as tintas do afeto,

com os brilhos do afago e

com as luzes do reconhecimento.

Para cada um de nós

ficou uma lembrança em prosa, em verso.

Cada um de nós guarda um pouco de ti.

Te vejo serena,

te vejo calada,

te vejo um poema que quero imprimir.

Agora eu entendo porque tu partistes.

Entendo e me calo e passo a escrever.

Deixastes de ser

um mero vivente

para se eternizar

em cada um de nós.

Deusa de Ébano,

te vejo sumindo,

te vejo subindo para o Criador.

Eu sinto tristeza,

mas tenho a certeza

que tuas palavras, somente escritas,

irão conosco permanecer.

Te sinto distante,

por um momento,

mas no pensamento

estais  bem aqui.

Estais radiante,

estrela brilhante,

no céu em um instante,

não esqueço de ti.

Guardo os escritos,

eterna lembrança,

na justa confiança,

que estais bem aí.