Acessibilidade e Mobilidade. Uma questão arquitetônica, uma responsabilidade de toda a sociedade.

De fato, embora existam desde 2000 as Leis de números 10.048 e 10.098 que tratam, respectivamente, da Acessibilidade e da Mobilidade Urbana, leis essas regulamentadas pelo Decreto Federal de número 5.296 de 2004, tanto o espaço público da cidade de Fortaleza, e de muitas outros municípios espalhados pelo Brasil, quanto áreas privadas não têm tido de projetistas e gestores a devida atenção. Por parte falta de sensibilização, também um pouco de desconhecimento, por ambas as razões é fundamental que formadores de opinião tomem essa bandeira de modo a socializar informações e conscientizar significativa parte da população residente nesse país de dimensões continentais.

Não é uma questão mais só de pessoas com deficiência. A população envelhece e, mais e mais, os espaços vão sendo compartilhados por cidadãos com limitações motoras, visuais, auditivas, táteis. Não é só isso, gestantes ou qualquer um que tenha restrições temporais do uso de partes de seus corpos, têm o direito a ir e vir, garantido pela Constituição Brasileira. É uma questão também de inclusão social. O individuo que percebe o mobiliário urbano e o edifí­cio projetados de modo a atender as suas demandas, se sente melhor aceito pela sociedade que o cerca.

O processo deve ser iniciado na escola. A criança tem menos preconceito em lidar com essas questões e sensibiliza mais facilmente, por razões afetivas, os adultos  A academia tem também sua cota de responsabilidade, pois cabe a ela desenvolver tecnologias e conhecimentos que tornem mais fácil o conviver com as limitações; além de ter o papel de formar as novas gerações, mais competentes para lidar com essas questões.

Cabe aos gestores federais, estaduais e municipais produzir publicações ou outros tipos de informes, que comuniquem a população de maneira geral a conviver com as diferenças; assim como investir nos equipamentos e espaços edificados que modo a garantir um desenho universal, acessí­vel a todos. Isso já está ocorrendo, embora ainda de modo muito contido, limitado. Cabe ainda a esses mesmos gestores zelar pela fiel obediência das leis já sancionadas. Em paí­ses desenvolvidos as questões da acessibilidade e da mobilidade urbana estão bem equacionadas. Já há tecnologias bastante aceitas e plenamente experimentadas para o enfrentamento apropriado dessas demandas. O conhecimento se faz presente em publicações espalhadas por todo o mundo. Falta ainda decisão polí­tica e avaliações de benefícios diretos e indiretos para que possam ser mais amplamente utilizadas também em países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil.

Diante dos fatos que vão se descortinando, já se pode assumir uma postura bastante otimista com relação ao cenário de futuro, pois se observa uma crescente evolução do ní­vel de exigência da população moradora nas cidades. Vai ser logo, não só uma imposição legal, mas uma relação custo-benefí­cio. As empresas vão utilizar da acessibilidade como diferencial de venda e os gestores, aos poucos, vão ser compelidos a tomar posturas mais receptivas às questões que envolvem essa temática, impulsionados pelos diversos Conselhos de Cidadãos que começam a tomar corpo nas diversas cidades desse imenso paí­s.

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