BASTIDORES

Bastidores1

Personagens:

HERBERT, empresário alemão

PATRÍCIA, esposa do Herbert

DIRETOR

KARLA, atriz que faz o papel de Patrícia

PAULO, ator que faz o papel de Herbert

ROBÉRIO, assistente de Direção

ILUMINADOR

CAPITÃO, o seqüestrador

DELEGADO

D.P., chefe do tráfico de drogas

MAQUIADOR

JOTA, capanga de D.P.

BETTY, namorada do Jota

HOMEM, outro capanga de D.P.

PAULA, atriz

ADRIANA, atriz que faz o papel de Betty

JÚLIO, ator que faz o papel de Jota

POLICIAL 01

POLICIAL 02

COMERCIANTE, dono do Boteco

REPÓRTER

TICIANA BRAUM, presidente do Departamento Carioca da Sociedade Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos.

 

1º Ato

Cena 01 (Casal na cama. Mobiliário sofisticado)

HERBERT: (Ao telefone) Eu quero tudo isso pronto para amanhã às 9 horas… e não me interessa quem vai passar a noite trabalhando!…Sim…certo…hum!…Aqueles casos…ah!…Pode encaminhar tudo para o Departamento Jurídico…e não me traga mais preocupações. Eu te pago é para me vir com soluções e não para me trazer questionamentos…A pasta azul…Sim, ele me entregou…Não, não cheguei a ler…(irônico) E o que o meu Diretor quer que eu leia…(grave) Eu já havia lhe dito para marcar as partes mais importantes…Eu não tenho todo o meu tempo para a Kaufmann & Co., afinal são 72 empresas que eu tenho de me preocupar e você só esta para administrar…OK…Tudo bem…Boa noite. (para a esposa) Tenho de ir amanhã para New York.

PATRÍCIA: O que aconteceu?

HERBERT: Problemas com a exportação. Esta instabilidade do país  provoca uma inquietação nos americanos. Além de cuidarmos dos nossos negócios, temos de nos preocupar, também, em “limpar a barra” do país.

PATRÍCIA: Semana passada na Alemanha…

HERBERT: Fui a feira de Essen para comprar algumas máquinas para a tecelagem.

PATRÍCIA: O mês passado França, Portugal e Holanda…

HERBERT: É o Mercado Comum Europeu.

PATRÍCIA: E o Johann, a Ulta e o Wagner, quando terão espaço nessa tua agenda?

HERBERT: Calma Patrícia…eu não já havia lhe dito que passaremos a Oktoberfest, juntos, na Bavária.

PATRÍCIA: E é para ter calma? (chora) São dez anos, Herbert. Fazem dez anos que você me descobriu naquele Colégio Suíço. Que você resolveu juntar a sua vida com a minha. Que você resolveu abdicar dessa besteira reinante na Europa “NUR LIEBE KEINEN KIND”, amor sem filhos, e fez em mim estas três preciosidades, entregues, hoje, nas mãos da Governanta. (chora copiosamente e é por ele consolada) 

HERBERT: Você tem razão…Acabamos nos transformando escravos do trabalho. (entra uma música em B.G. Beijam-se. Entra luz vermelha em reostato. Trocam carícias, fazem amor)

DIRETOR: (grita) Pára! Pára! Pára! Tá uma merda! Oh Iluminador, dá Platéia! (acende a luz da Platéia) Que porra de luz vermelha é essa que você botou?

ILUMINADOR: Foi a marcada aqui no meu texto pelo Diretor de Cena.

DIRETOR: Solta esta merda e vem cá. (para os atores) Karla, tu nunca beijou ninguém? O Paulo é teu marido. Presta atenção no texto. Ele é um grande empresário, que viaja prá caralho e está agora contigo, na porra dessa cama. Tu é uma dondoquinha, que vive da pompa e da pomba…Então menina, te solta mais e te entrega a este homem.

KARLA: Com esse cara não dá, Diretor. Esta bicha parece que tem medo de pegar em mulher!

PAULO: Olha aqui, minha filha, a minha vida sexual não tem nada a ver. Se você quer descer o nível, eu faço já baixar a Maria Lavadeira e eu vou rodar a baiana!

DIRETOR: (para o Iluminador) Me pega a escada e me troca a gelatina deste refletor. Bota nesta merda uma gelatina rosa. A cena é para transmitir amor, carinho, nobreza…e não esta putada que você tá passando com este vermelho…Parece cena de sexo em filme pornô! (vira-se para a Platéia) Robério, qual a próxima cena?

ROBÉRIO: (da Platéia) É a do seqüestro. (no palco o Iluminador troca a gelatina)

DIRETOR: Então vamos entender a seqüência. O cara viajou. A Karla vai fazer compras e é seqüestrada no estacionamento do Shopping. Os caras a levam de carro, e nessa cena já estão no cativeiro.

PAULO: Você não quer fazer o ensaio corrido?

DIRETOR: Por quê? Ainda não decoraram o texto?

PAULO: Não, não é isso.

DIRETOR: Não! Vamos pegar logo da segunda cena, que não sei ainda como vou fazer o final desta primeira. Bora ajeitar o cenário. (modificam o cenário com pequenos detalhes) O.K…Dá o foco amarelo!

1º Ato

Cena 02  (O Cárcere: papelão no chão como cama, uma quartinha e um copo em cima de uma caixa e um pinico encostado nela)

ZÉ DO TRILHO: (empurrando Patrícia) Entra aí bacana!

PATRÍCIA: (cai de joelhos)

CAPITÃO: (tirando a venda dos olhos de Patrícia) Taí a tua suite, princesa! Tu vai ficar aqui senhora, até o gringo abrir o coração.

PATRÍCIA: (olha para os seqüestradores apavorada. Os seqüestradores estão encapuzados)

TIÚ: Ei, dona. É bom a senhora ir perdendo essa sua mania besta de encarar a gente. Quanto menos a senhora conhecer a gente,  melhor prá sua saúde.

CAPITÃO: Nós só tamo querendo que teu maridão dê uma prova de amor pela senhora.

CABELEIRA: O gringão tem que abrir os bolsos, senão nunca mais dá um cheirinho neste cangote quente. (aperta o pescoço de Patrícia, que reage) Só vai comer esse seu xexeuzinho gelado. (passa a mão na bunda de Patrícia. Ela novamente reage)

ZÉ DO TRILHO: Ela é corajosa, Capitão. Não sabe que tá tratando com o Comando Encarnado da Paulicéia Desvairada.  

CAPITÃO: A suite aqui, minha bela flor, não é tão confortável, porque o hotel só é meia estrela; mas, aqui, a patroa tem de tudo: colchão de espuma (mostra o papelão estirado no chão), toalete à bordo (aponta para o pinico), refeições servida na cama e sistema de aquecimento central.

TIÚ: Lá fora tá um frio do cacete!

CAPITÃO: Qualquer coisa é só chamar o seu criado de quarto, o interfone fica aqui em cima do criado-mudo ( pega Patrícia pela nuca e esfrega o pênis em sua boca. Ela reage. Saem os quatro. Patrícia observa o seu cativeiro e tem uma crise de choro. Entra música em B.G.) 

Bastidores6

DIRETOR: OK, valeu a cena?

PAULA: Você não acha que ficou muito apelativa esta seqüência em que o Capitão esfrega o rosto da seqüestrada na sua genitália?

DIRETOR: Paulinha, este é só o primeiro desenho. O pessoal ainda não tá nem muito seguro no texto. Não dá para ir limpando tudo de uma vez.

PAULA: Eu só pensei que ficaria muito íntima esta relação entre seqüestrador e seqüestrada, embora o autor tenha colocado na rubrica a sugestão desta movimentação cênica.

DIRETOR: Meu amor, nós não podemos tolher a liberdade de criação do ator. Se ele sente essa cena desta maneira, que o faça…depois agente limpa os excessos. A rubrica do autor, como você própria falou, é uma sugestão. Uma peça é uma criação coletiva. O autor deve entender que a direção faz a sua própria leitura do texto e vai montá-lo seguindo uma ótica particular. O autor que não entender isso desta forma, vai ter muita dificuldade em ver as suas peças montadas.

PAULA: Mas cara e o respeito ao texto do outro…ao trabalho do cara.

DIRETOR: Eu não estou mudando o texto Paula. Você é meio contraditória: me fala para não respeitar a rubrica do autor, agora preconiza o respeito ao texto. Qual é? Cada um de nós interpreta as palavras obedecendo a um repertório que formulamos ao longo de nossas vidas. A própria platéia fará a sua leitura individual da peça.

PAULA: Eu só estou querendo…

PATRÍCIA: (Interrompendo a Paula) Eu não me incomodo com a cena. Estou aqui para fazer o que for preciso para estourarmos com o espetáculo.

DIRETOR: Paula, (dando um chega para lá na atriz) você já está com o teu texto todo decorado? (para o Assistente de Direção) Robério, vamos preparar a próxima cena: eu estou pensando, nessa cena, em um quarto de Hotel, no fundo uma baita janela que se conseguisse ver por traz uns néons piscando…um negócio de superprodução.

ROBÉRIO: E como é que a gente vai conseguir trocar o cenário só no black-out?

DIRETOR: Agente pode correr essa parte no proscênio, depois se abre a cortina para o próximo Ato… (agitando-se) Vamos correr o ensaio, depois a gente detalha isso.

1º Ato

Cena 03  (Herbert e Roberto em uma suite de hotel em Nova York. Estão nus em cima da cama e trocam carícias)

ROBERTO: Realmente Nova York é uma cidade muito bonita. É o coração do mundo.

HERBERT: Cumpri a promessa. Eu não te disse que na primeira oportunidade eu te traria aqui.

ROBERTO: Você é um anjo. (beija-o)

HERBERT: Este hotel aqui é muito bem localizado. (acende o cachimbo e vai para a janela) Ali é o rio Hudson. Mais na frente é Manhattan. Manhattan era o nome da tribo de índios que habitava esta região.

ROBERTO: E onde fica o Hyde Park?

HERBERT: O Hyde Park fica em Londres. Aqui tem o Central Park. Mais tarde eu te levo lá.

ROBERTO: (alisando as costas de Herbert) Você é um doce.

HERBERT: Doce é poder desfrutar de todos os prazeres que a vida nos oferece.

ROBERTO: E eu te dou prazer?

HERBERT: Você é um deles.

ROBERTO: E a tua mulher?

HERBERT: Patrícia é um amor de mulher. Ela me dá carinho. Ela me deu minhas maiores riquezas: meus três filhos. Pena que eu não tenha tanto tempo para ela e para eles.

ROBERTO: E eu, como fico nessa história?

HERBERT: Ela é meu amor e você é o meu tesão!

ROBERTO: As vezes me dói tanto ter de te dividir com a tua mulher.

HERBERT: Deixa de frescura, Roberto. A vida é muito curta para banalidades. Nós temos que provar todas as sensações que a vida nos pode ofertar: lugares, comidas e pessoas.

ROBERTO: E ela sabe de mim?

HERBERT: Nem sabe e nem deverá saber. A vida é minha. O dinheiro é meu. Trabalho muito, sabe Roberto, e quero me dar o direito de desfrutar da vida como bem entender. Ela é o meu lar e você a minha aventura.

ROBERTO: Você, as vezes, consegue ser tão frio.

HERBERT: O meu sangue europeu me faz agir com a razão. O teu latino te deixa piegas.

ROBERTO: Mas é o meu sangue latino que me faz te amar com tanto fervor. (o telefone toca)

HERBERT: Não me deixam em paz mesmo. Hallo!…Yes, you could transfer. Thank you!…Alo!…Márcia, (aborrecido) eu te falei para não perturbar! Eu preciso descansar um pouco…Importante?…O que pode ser tão importante para você me atrapalhar o repouso?…(senta-se)…Foi mesmo?…Deixa eu pensar um pouco, colocar as idéias em ordem…Daqui a pouco eu te ligo.

ROBERTO: O que foi, Herbert? Você está pálido!

HERBERT: Seqüestraram a Patrícia.

ROBERTO: E já pediram o resgate?

HERBERT: Não, ainda não contactaram.

ROBERTO: E o que você vai fazer?

HERBERT: Arruma as malas, que a lua de mel fica temporariamente suspensa. Vamos voltar para o Brasil.

DIRETOR: Não pára, emenda direto com a cena na Delegacia, Iluminador! Luz branca nessa cena, quero marcar bem a passagem desses dois instantes.

2º Ato

Cena 01  (Escritório do Delegado)

HERBERT: Delegado, uma semana e nenhum contato.

DELEGADO: Esta faz parte da estratégia deles. É uma forma de quebrar as forças da família.

HERBERT: Pois pode avisá-los, que já nos arrasaram.

DELEGADO: Dr. Herbert, eu já estou com meus homens em campo. Mais cedo ou mais tarde a gente estoura o cativeiro.

HERBERT: E a imprensa. Eu já segurei a televisão e o jornal. Vê se teus homens não ficam conversando demais.

DELEGADO: Que é isso, Dr. Herbert, o nosso trabalho é profissional.

HERBERT: O que o senhor precisar de recurso é só avisar.

DELEGADO: Estamos sempre precisando.

DIRETOR: O.K., valeu a cena. Dá geral. Cadê o D.P.?

D.P. : Estou aqui. (vem do Camarim)

DIRETOR: Esta maquiagem não ficou muito legal. (grita) Maquiador!

MAQUIADOR : Pronto.

Bastidores5

DIRETOR: Eu quero o rosto dele mais vermelho. Esta cena toda é na luz branca. (para o Robério) Me vê um paletó legal, umas pulseiras, colar. Eu quero o D.P. bem arrumado. (grita) Júlio! Cadê o Júlio?

JÚLIO : (vem correndo do Camarim) Estou aqui!

DIRETOR: Onde é que você estava? (para todos) O ator tem de estar acompanhando a peça e já ficar preparado para a sua entrada, mesmo nos ensaios.

JÚLIO : Eu estava concentrando.

DIRETOR: Isso é frescura Stanislaviskiana. Teoria é para Crítico Teatral… Estão todos nas marcas? (se posicionam) O.K., pode rolar.

2º Ato

Cena 02  (Um Bar: balcão, mesas e cadeiras. Bailarinos como figurantes)

BETTY : Tu sabia que a muito tempo eu tô na tua?

JOTA: Engraçado, nega, a gente nasceu nesse morro; somos da mesma escola e nunca eu tinha parado prá te curtir.

BETTY : Mas esse ano, a gente sai na mesma ala. Já me entoquei no Barracão. Eu mesma vou fazer as nossas fantasias. Já encomendei ao Zé do Couro prá caprichar nos adereço. Nós vamo sacudir a Sapucaí. Vou ser a cabrocha mais porreta e tu o sambista mais tesudo que vai descer o morro. (beijam-se) Tu tará pensando que eu marco toca. A letra do Samba Enredo já tá no gogó e o samba no pé. Tua nega vai brilhar mais que artista da Globo. (trocam afagos. Entra o Samba Enredo em B.G.)

JOTA: Valeu Miguelão! Este ano vai dar azul e branco na Sapucaí. (todos dançam uma coreografia marcada)

JOTA: (novamente na mesa) Tu tá a fim de dá um tapa na peteca?

DIRETOR: (interrompendo a cena) Tapa na peteca! Isso é velho prá caralho.

JOTA: Tá no texto assim, cara.

DIRETOR: Mas tapa na peteca num é dá uma trepada?

JOTA: Não cara é puxar um mato, sei lá. Você quer que eu diga: fumar um baseado, queimar uma erva…

DIRETOR: Não, não, faz assim mesmo, depois a gente modifica, se ficar muito estranho. Vamos, volta a cena, se não a gente perde o pique.

JOTA: Volto toda.

DIRETOR: Não, só depois da dança prá frente.

JOTA: (retomando a cena) Tu tá a fim de dá um tapa na peteca?

BETTY : Bora.

JOTA: Miguel, pendura essa! (saem para um lugar ermo e escuro. Fumam um baseado e trocam carícias mais íntimas)

BETTY : É muito bonita a vista daqui de cima. Os barão tudo lá embaixo, entocado nos poleiros, cheio da bufunfa e não tem a vista da natureza que nós tem daqui.

JOTA: Não, nega. A vista mais bonita daqui é a da tua bunda gostosa!

BETTY : Tu não leva nada a sério.

JOTA: Quando eu dou uma puxada, (fuma) tudo fica mais alegre e eu não posso levar nada a sério. (agarra a Betty e a derruba no chão. Trocam carícias e começam a se despir. Chega um homem que bate nas costas de Jota)

HOMEM : Jota, o D.P. está te chamando! (se desequilibra e quase cai sobre os dois)

JOTA: (levanta-se rápido, só de cueca e com o canivete na mão. Betty cobre os seios desnudos com a roupa) PORRA MANÉ! Tu me mata de susto. Rapaz, tu não me chega mais, assim, com esse teu pisado macio, que eu acabo te furando. (quebra rapidamente a raiva com um largo sorriso) Esse cara ainda vai cair em cima da gente. (o elenco todo ri)

DIRETOR : O.K., valeu a cena. Rafael, tu não precisas topar nos dois para dizer a fala. Pode ser um pouco de longe. Só a tua presença, naturalmente, assustaria os dois. Mas, tá legal… Robério, que horas são?

ROBÉRIO: Meia noite e dez.

DIRETOR : (para todos) Vamos dar uma pausa de meia hora para o cafezinho e a gente pega daqui. Vamos ver se terminamos antes das três. Robério, (em particular) como estão os adereços?

ROBÉRIO: Já está tudo bem encaminhado.

DIRETOR : Eu fico muito preocupado em estrear peça, aqui no Rio, perto do Carnaval. Você sabe que o povo só fica com a cabeça concentrada nos barracões e no desfile.

ROBÉRIO: Oh, cara. Tu sabes que a Julieta é maranhense e não se liga muito em Carnaval. É certo que ela faz adereços para o Unidos da ilha, mais ela é muito profissional e só aceita uma encomenda quando pode atender.

DIRETOR : Eu não tenho toda essa certeza, não. Todo mundo que põe os pés nessa tua terra fica totalmente embriagado pelo Carnaval.

ROBÉRIO: E você nem ficou. Ainda continua aquele paulistão interiorano.

DIRETOR : A minha paixão é pela arte, pelo Teatro.

ROBÉRIO: E você não considera o Carnaval um grande espetáculo de interpretação. Um verdadeiro show ao ar livre.

DIRETOR : Considero. Eu não posso negar isso. Mas, minha cabeça, próximo às estréias, só consegue pensar no espetáculo. Eu nem consigo dormir direito. Me acordo a noite tentando encontrar soluções para os nossos problemas, tentando encontrar meios para facilitar o trabalho de produção. Teatro, no mundo todo, não tem o devido apoio. Nós temos de ralar muito para conseguir entreter o nosso público. O Cavaco entregou todos os desenhos do cenário?

ROBÉRIO: Fique despreocupado. Ele já entregou quase todos os desenhos e já estamos com o cenário bem encaminhado.

DIRETOR : Vê se corta um pouquinho as asas dele, se não fica difícil bancar suas idéias. Ele é muito bom, consegue captar bem a minha proposta, mas viaja muito. E eu não tenho grana prá isso.

ROBÉRIO: Saiu a outra parcela da lei de incentivo e a produção investiu quase tudo em cenário. Só para te acalmar mais ainda, fechamos já toda a divulgação. Inclusive a media na TV. Vai ficar lindo o VT.

DIRETOR : Vai tomar logo o teu café para podermos terminar o mais cedo possível.

2º Ato

Cena 03  (No Camarim: O Iluminador instala um refletor no Camarim para que o Maquiador estude melhor as maquiagens)

ROBÉRIO: ( para o Maquiador, meio surpreso) Que parafernália é essa?

MAQUIADOR: Estou trabalhando profissionalmente. (chorando) Não há nada que agrade o nosso Diretor.

ROBÉRIO: Não é isso. A responsabilidade dele é muito grande. Falta menos de um mês para a estréia e é justo que ele fique um pouco tenso.

ILUMINADOR: Um pouco tenso? Sai de baixo quando ele tiver meio tenso. E Deus me livre quando estiver totalmente tenso.

ROBÉRIO: Vocês não estão dramatizando muito. Não é melhor deixarmos isso para os atores?

MAQUIADOR: (Patrícia senta diante do maquiador e este faz o seu trabalho diante da luz) Dramatizando? Você me diz DRAMATIZANDO? (fala, dramatizando) Puxa vida, Robério! Você me conhece a tanto tempo e sabe que eu não sou de DRAMATIZAR  nada.

ROBÉRIO: (irônico) Eu sei. Eu o conheço muito bem.

ILUMINADOR: (para o maquiador) Fica na tua bicho, se tu ainda quer custear o teu pó com o cacau dele.

MAQUIADOR:  (para o Iluminador) Se você não preza o teu trabalho, eu valorizo muito o meu. Não é todo grupo que pode ter o Lulu de Vila Isabel cuidando dos rostinhos.

ROBÉRIO: Não é isso Lulu. Todos nós somos artistas e cuidamos muito bem de nosso trabalho. O Diretor é o maestro desse processo. Não adianta ter um grande goleador no time, se não tiver ninguém que passe a bola para ele. Não adianta fazer muitos gols com um goleiro que não segura uma bola. O nosso trabalho é de equipe.

ILUMINADOR: Te segura malandro, que o jogo tá pro adversário. Agora é fechar a zaga para a surra não ser muito grande.

ROBÉRIO: (para o Iluminador) Jorge, o cara já tá aborrecido e tu ainda fica frescando.

ILUMINADOR: É que eu gosto do dele, (beija a cabeça do Lulu. Ele reage já com um leve sorriso no rosto) mas ele tem de aprender a esfriar um pouco essa cachola.

ROBÉRIO: JÚLIO, (em tom irônico, olhando para o dedo dele) você está noivo? Mudou de convicção ideológica? Virou a casaca?

JÚLIO: Eu finalmente encontrei a minha cara metade e resolvemos nos casar.

ROBÉRIO: E eu que pensei que você encontraria O SEU CARA metade e não A SUA  CARA.

JÚLIO: Atualpa é minha cara metade.

ROBÉRIO: Atualpa, que nome mais esquisito para um boiola!

JÚLIO: Atualpa é muito macho. Ou você acha que nós só podemos nos relacionar com peruas desvairadas. Eu sou tanto homem quanto você.

ROBÉRIO: Como eu? (rindo)

JÚLIO: Muito cuidado bebé! preconceito hoje dá cadeia.

ROBÉRIO: (saindo) Não, meu amigo, você pode cheirar o barbado que quiser. Eu é que prefiro um outro tipo de barbado. Um barbado cheiroso.

JÚLIO: Casar é força de expressão? Vocês vão viver juntos.

MAQUIADOR: Não cara. Nós conseguimos um padre no Meier que compreendeu o nosso amor e abençoou a nossa relação.

MAQUIADOR: Certo, mais daí a fazer o casamento. Isso é outra coisa. 

JÚLIO: Mas ele aceitou.

MAQUIADOR: Tu estais brincando.

JÚLIO: Nós já estamos preparando tudo. Eu vou até te mandar o convide para a nossa festa. O pessoal da Galeria Alasca já está preparando um despedida de solteiro lá no Posto Seis. Vá ser de voar purpurina.

ILUMINADOR: (rindo) E qual dos dois vai entrar de noiva?

MAQUIADOR: No seu, meu amor, você entra. Nós dois iremos estar usando belíssimas casacas negras, desenhadas especialmente para nós, por um conceituadíssimo figurinista cearense. (para Patrícia) Tá gostando da maquiagem?

PATRÍCIA: Não está muito forte para uma seqüestrada?

MAQUIADOR: Mas você acabou de ser seqüestrada e no mais você é chiquésima.

PATRÍCIA: E também com essa luz e o distanciamento do público.

MAQUIADOR: É claro. Eu monto essa parafernália, como diz o Robério, para filho de Maria Chiquinha nenhum vim frescar com a minha maquiagem. Eu não dou ponto sem nó.

ADRIANA: Paula, eu estou me apaixonando pelo Júlio.

PAULA: (que já estava no palco desde o começo da cena) Adriana, não mistura as coisas. O Jota é o personagem que ama a Betty e você é uma profissional do palco como o Júlio. O Jota e o Júlio são duas pessoas diferentes.

ADRIANA: Eu sei, mas ele me toca com tanto jeito. Me beija com tanto amor.

PAULA: O Jota tem amor pela Betty. O Júlio é apenas um excelente profissional que está incorporando muito bem o personagem.

ADRIANA: Eu sei, Paula. Eu sempre tive medo disto, desde que entrei para a Escola de Arte Dramática. Eu tinha receio de como me comportaria diante de outros atores. Como me sentiria sendo tocada por um colega e hoje me vejo envolvida pelo Júlio.

PAULA: Tu tens pouco tempo de palco. O ator tem de aprender a conviver com tudo isso.

ADRIANA: Eu vou te confessar uma coisa: (música em B.G.) me assustei quando pela primeira vez eu tive de sentir amor e ódio por um personagem. Eu, realmente, consegui sentir amor e depois ódio pelo ator que estava contracenando comigo e isso me perturbou intensamente. Como eu poderia realmente sentir amor e depois ódio e isso tudo ser mentira. Estes sentimentos serem criados por minha vontade. Sentir que estava brincando com os meus sentimentos. Sentir que poderia passar para as pessoas sensações criadas por minha vontade e não serem verdadeiras. Isso me assombrou.

PAULA: Adriana, é muito difícil ser ator e por outro lado é muito fácil. É difícil porque ninguém pode te ensinar a forjar essas sensações. Você pode conduzir movimentos, palavras; mas, tudo isso fica caricaturado e o público percebe, quando você não incorporou o personagem, quando você não emprestou ao personagem sentimentos teus, mentiras tiradas da tua verdade. 

ADRIANA: E eu entrei, verdadeiramente, nesta minha mentira.

PAULA: Nós atores vivemos muitos personagens. Somos rainhas, plebéias, prostitutas, dondocas no palco e não deixamos de ser nós mesmas na vida real. Temos os nossos pais, nossas famílias, nossos estudos, nossos lazeres. Há registro de suicídios em nossa classe teatral: atores que se deixam envolver pelos personagens. (soa a campainha). Toma o teu café e vamos voltar para o ensaio. Te cuida, menina!

Bastidores2

3º Ato

 Cena 01  (em frente a um Boteco)

POLICIAL 01 : Sopraram para o Delegado que a granfina raptada tá aqui no morro.

POLICIAL 02: Vamos dar uma escorada no dono do Boteco. Ele deve estar sabendo de alguma coisa. Bêbado sempre fala demais.

POLICIAL 01 : Cana! (mostrando a carteira de identidade)

COMERCIANTE: Pois não, o que desejam?

POLICIAL 02 : Alvará de Funcionamento.

COMERCIANTE: Pronto, aqui.

POLICIAL 02 : Este é do ano passado. Eu quero é o deste ano.

COMERCIANTE: O deste ano deve estar ainda com o Contador, o que eu tenho é este.

POLICIAL 01 : Bora prá Delegacia, esclarecer este caso: funcionamento irregular de estabelecimento comercial.

COMERCIANTE: Vocês vão me prender só por causa disto? Vamos sentar para conversar.

POLICIAL 02 : Bora! Deixa de tanta conversa e fecha logo esta merda.

COMERCIANTE: Mas meus amigos, eu sustento a minha família com isto aqui.

POLICIAL 01 : Bora caralho! Deixa de tanto agá. Tá irregular mesmo.

3º Ato

 Cena 02  (no Camarim)

 ADRIANA : Júlio, o que tu tá achando daquela nossa cena?

 JÚLIO: Acho que está correndo bem. Nós precisamos trabalhar um pouco mais alguns detalhes, mas no global eu acho que está convincente.

 ADRIANA : O que tu sente naquela cena?

 JÚLIO: Sinto o que o autor exige para o personagem: uma surpresa com um toque de vaidade quando você confessa o teu amor, uma alegria descontraída quando toca o Samba Enredo, tesão quando te passo a mão, raiva quando o Rafael vem me chamar, enfim, eu estou gostando muito do Jota. Eu já tive dificuldade de incorporar alguns personagens em minha vida, principalmente infantis, que se nos apresentam meio tolos em algumas falas, mas o Jota entrou bem e sem laboratório. A gente vê muitos Jotas por aí, até na televisão, enquanto personagem ou mesmo nos noticiários, como pessoas da vida real. Ele é uma pessoa do morro, uma pessoa do povo…Estou adorando fazer o Jota. 

 ADRIANA : (Insinuante) E o que tu acha que eu sinto fazendo a Betty?

 JÚLIO: (Aproximando-se e segurando-a pelas mãos) Eu vejo os teus olhos brilharem quando confessas o teu amor. Eu sinto a tua euforia na hora da fantasia. Eu percebo a tua barriga tremer quando a aperto contra a minha. Sinto os teus mamilos enrijecerem quando te afago os seios. A tua voz treme quando trocamos carícias. (passando a mão no queixo de Adriana) Menina! Você tem futuro! (sorri e sai. Entra a música em B.G. e cai a luz lentamente, tempo em que Adriana chora e abraça-se fortemente)

 3º Ato

 Cena 03  (na Delegacia)

 DELEGADO : Nome?

 COMERCIANTE: Manuel Marques Moreira.

 DELEGADO : Profissão?

 COMERCIANTE: Comerciante.

 DELEGADO : Bem, seu Manuel, eu recebi uma denúncia que o senhor anda vendendo bebida para menores.

 COMERCIANTE: O que é isso doutor Delegado?

 DELEGADO : E, além do mais, o seu estabelecimento comercial está funcionando irregularmente.

 COMERCIANTE: São só os documentos que estão atrasados.

 DELEGADO : Bem, o senhor sabe, pois é obrigação de todo o cidadão o conhecimento da lei, que o funcionamento irregular de um estabelecimento comercial gera o seu fechamento e a venda de bebida à menores dá cadeia e o senhor está sendo autuado em flagrante delito.

 COMERCIANTE: Mas, doutor Delegado, eu não estou vendendo bebida prá de menor.

 DELEGADO : Tá pensando o quê? Eu sei tudo o que acontece na merda daquele morro. Sei até que estão escondendo uma granfina lá e o senhor é quem fornece comida para os pilantras.

 COMERCIANTE: Não, doutor Delegado, eu não sei história nenhuma de granfina.

 DELEGADO : Cidadão, é melhor tu te abrir; senão vai ser pior prá ti.

 COMERCIANTE: Doutor Delegado, eu só sou um pobre comerciante, que vive da venda dos meus produtos.

 DELEGADO : Tobias, desce o homem!

 COMERCIANTE: Doutor Delegado, pelo amor de Deus, eu sou pai de cinco filhos.

 3º Ato

 Cena 04  (na Cela. Dois policiais e o comerciante só de cueca)

 POLICIAL 01 : Bora, fela da puta! Abre o jogo. Onde tá a granfa?

 COMERCIANTE: Eu não sei. (o Policial 01 bate no rosto do Comerciante)

 POLICIAL 01 : Bora, porra! Os cara lá na maior e tu aqui ralando. O que é que tu vai ganhar com isso? Desembucha! (música em B.G. Cena de tortura. Fecha a luz e o comerciante grita. Abre a luz e o Policial 02 está cuidando dos ferimentos do Comerciante)

 POLICIAL 02: Por quê tu não conta logo? Tu te abre comigo e eu ajudo a livrar a tua cara com o Delegado. O que o Delegado quer saber é só onde os cara tão.

 COMERCIANTE: Mas eu não sei.

 POLICIAL 02 : O que tu tá ganhando com isso? Tu é um pai de família, uma cara trabalhador e eles só uns malandros e tu acoitando eles.

 COMERCIANTE: Mas eu não tô acoitando ninguém. (chora)

 3º Ato

 Cena 05  (na Delegacia)

 POLICIAL 02 : (entrando) Não tem jeito doutor, o homem não se abre nem pro trem.

 DELEGADO: Já usaram o saco d’água?

 POLICIAL 02 : Tudo! Tudo o que não deixa marca, nós já tentamos. O senhor sabe, o povo dos direitos humanos, tá todo tempo na nossa cola. Nós temos que ter o maior cuidado, senão pinta sujeira prá nós e pro senhor também.

 DELEGADO: Eu sei, esses porras querem que a gente fique lambendo preso. Se não apertar, os caras não abrem o bico.

 POLICIAL 02 : Eles ficam só falando prá nós de investigação científica. Esses putos ficam assistindo muito filme americano e ficam cheios de caraminholas na cabeça. Eu queria ver um bicho desse passando o dia aqui na Delegacia, correndo atrás de bandido, se livrando de bala no morro. Eu queria que, pelo menos um dia na vida deles, eles saíssem de manhã de casa, como nós, e enfrentassem o crime organizado, ganhando a miséria que agente ganha, andando em viaturas fudidas, usando munição recondicionada.

 DELEGADO: (saindo do personagem e começando a rir) Esse cara vai já me fazer chorar.

 DIRETOR : Te concentra cara, não sai do personagem.

 DELEGADO: O autor dessa peça é policial? Porque, o que ele defende a categoria não tá no gibi.

 ROBÉRIO: (para o Diretor) Esse trecho da peça cai um pouco. Ela passa a ser muito dramática. As vezes até meio piegas.

 DIRETOR : Eu penso que ele quer dar mais realismo a trama.

 POLICIAL 02 : Realismo aconteceu na semana passada, na peça que assisti no Barra Shopping. A atriz tinha que entrar em cena e dizer: que cheiro de papel queimado, pois o seu marido, na peça, acabara de queimar uma carta da amante. Só que em vez de queimar o papel ele o rasgou. A atriz não contou pipoca, olho o papel todo triturado na mão do outro e sapecou: QUE CHEIRO DE PAPEL RASGADO. (todos riem)

 ROBÉRIO: Uma vez, no interior do Ceará, estava acontecendo uma peça em que havia uma assassinato. E os caras esqueceram de levar a tal da arma e pediram a um coronel da região uma emprestada. O coronel realmente emprestou, mas fez uma série de recomendações. Na hora da cena o pistoleiro puxa a arma do coronel para o cara que deveria morrer, este reage com uma peixeira e mata o pistoleiro. Tudo sairia bem se o assassino antes de cair, lembrando das recomendações do coronel, não tivesse cuidadosamente depositado a arma sobre uma cadeira. (todos riem)

 DIRETOR: Três ou quatro anos atrás veio um grupo do Norte mesmo para este teatro. Eles apresentavam uma peça em que havia uma lavadeira. A atriz vestiu o figurino e se posicionou fora do teatro pois sua encenação começaria pelo meio da platéia. O Pedro tinha acabado de chegar aqui para trabalhar de porteiro e não deixou a atriz entrar, por mais que afirmasse que estava chegando a hora de entrar em cena. Teve o diretor que interferir para que o Pedro autorizasse a entrada da moça. Foi uma agonia para a atriz. (todos riem) Acabada a higiene mental, vamos voltar para o ensaio. Retomem as marcar e vamos continuar da última fala do Policial.

 POLICIAL 02 : Eles ficam só falando prá nós de investigação científica. Esses putos ficam assistindo muito filme americano e ficam cheios de caraminholas na cabeça. Eu queria ver um bicho desse passando o dia aqui na Delegacia, correndo atrás de bandido, se livrando de bala no morro. Eu queria que, pelo menos um dia na vida deles, eles saíssem de manhã de casa, como nós, e enfrentassem o crime organizado, ganhando a miséria que agente ganha (todos riem), andando em viaturas fudidas, usando munição recondicionada. Eu queria só ver esses putos se borrando todo, ao enfrentar a bandidagem com suas armas, aqui e acolá, negando fogo, batendo o catolé. É muito fácil ser dos direitos humanos, quando você só vê preso na televisão. Eu queria ver eles pisando na lama do morro e sentindo a catinga do sangue e o medo da morte nas veias.  

 DIRETOR: Vamos pessoal, se concentrem. Já tá muito tarde. (para o Policial 02) Eu queria que você acentuasse mais cada fala dele. (o diretor mostra como o Policial 02 deve atuar)

 DELEGADO: Tá legal, vamos lá. (após inspirar fundo começa a rir. Todos riem, até o Diretor)

 DIRETOR: Vamos lá, vamos lá!

 DELEGADO: Deixa eu contar só essa.

 DIRETOR: Tá certo! Vai…mas só essa.

 DIRETOR: Eu estava fazendo uma peça de época. Usávamos cartola, capa e bengala. Um cenário de início de século. O Jorge me chamava no meio de um cena e eu, sem querer, ao virar, dei com a ponta da bengala no meio de suas pernas. Ele dizia a sua fala e lágrimas saiam de seus olhos. Imaginem a dor que não e sem poder fazer nenhum gesto fora do personagem. ( todos riem novamente)

 DIRETOR: Ok, todos relaxados, vamos continuar.

 POLICIAL 02 : Eles ficam só falando prá nós de investigação científica. Esses putos ficam assistindo muito filme americano e ficam cheios de caraminholas na cabeça. Eu queria ver um bicho desse passando o dia aqui na Delegacia, correndo atrás de bandido, se livrando de bala no morro. Eu queria que, pelo menos um dia na vida deles, eles saíssem de manhã de casa, como nós, e enfrentassem o crime organizado, ganhando a miséria que agente ganha, andando em viaturas fudidas, usando munição recondicionada. Eu queria só ver esses putos se borrando todo, ao enfrentar a bandidagem com suas armas, aqui e acolá, negando fogo, batendo o catolé. É muito fácil ser dos direitos humanos, quando você só vê preso na televisão. Eu queria ver eles pisando na lama do morro e sentindo a catinga do sangue e o medo da morte nas veias.  

 DELEGADO: Deixa prá lá. Se a gente for pensar nisso, nós não conseguimos trabalhar. A nossa vida é um sacerdócio e nós temos de nos conformar com isso.

 POLICIAL 02 : É doutor, mais que me dá raiva, isso dá. Você, com o homem na sua mão, não ter respaldo legal prá tirar a informação que você tem a certeza absoluta de o meliante poder dar. Isso me deixa desiludido e decepcionado. Mas, é isso aí, usando das ferramentas investigativas que a lei nos concede, como o senhor mesmo assim o diz e de artifícios não acadêmicos, que o senhor nem precisa saber, o homem não vomitou nada.

 DELEGADO: Então o jeito é soltá-lo, pois, logo logo um advogado entra com um pedido de relaxamento de prisão e a gente pode até se enrolar com esta prisão irregular. A lei parece que foi feita para apadrinhar vagabundo. Se não falou até agora, não fala mais. Cinco dias no pau, não é fácil. O negócio agora é montar uma campana para descobrir onde tá a botija. (corte de luz)

 DIRETOR: Paulo, baixa a última vara para trocarem o pano para a cena no escritório do D.P. Pessoal, vamos todo mundo ajudar a Karla a colocar o pano (para o Delegado) Falou em vara o Paulo se anima logo. (o cenário é trocado na frente do público, enquanto a Cena 06 do 3º Ato corre em paralelo)

3º Ato

Cena 06  (no Proscênio)

ADRIANA : Júlio, eu tenho uma coisa prá te contar.

JÚLIO: Fala, meu amor! É sempre muito bom te ouvir.

ADRIANA : É tão difícil (baixa a voz)

JÚLIO: Eu te acho tão linda preocupada. (passa a mão no rosto de Adriana)

ADRIANA : Não faz assim. Você só torna as coisas mais difíceis.

JÚLIO: Nós temos muitas coisas em comum…

ADRIANA : É isso!

JÚLIO: Eu também sou muito tímido.

ADRIANA : (Olha para os olhos de Júlio e dá um sorriso amarelo)

JÚLIO: Vamos sentar. (pega-a pela mão e sentam-se no chão)

ADRIANA : Não sei bem por onde começar.

JÚLIO: Fique à vontade. Pode se abrir comigo. Eu te quero muito bem.

ADRIANA : Júlio, (fita-o) a vida da gente nos reserva cada surpresa.

JÚLIO: Você, ainda, é muito novinha, (fala carinhosamente) mas da vida meu amor, do público e da barriga de uma mulher grávida pode-se esperar qualquer coisa.

ADRIANA : Você é tão seguro.

JÚLIO: Sou embrutecido pela vida.

ADRIANA : Você é tão amável.

 JÚLIO: Você é que me faz amável.

 ADRIANA : Você é tão carinhoso.

 JÚLIO: Não é difícil ser carinhoso, quando se tem um rosto bonito desse para se afagar.

 ADRIANA : As palavras te vêm tão fácil à boca.

 JÚLIO: É só fazer com que saiam de dentro de tua alma. Quando se fala o que se sente, o sentimento aflora na tua pele e as palavras brotam na tua boca.

 ADRIANA : Tu me dá força para confessar o que sinto.

 JÚLIO: O que é isso Adriana, tu já és a fortaleza em pessoa. Tu, é que, não te apercebes disso.

 ADRIANA : Júlio, (faz uma pequena pausa) eu te amo.

 JÚLIO: Eu também te amo, minha linda. (beija-a na testa, descompromissadamente) Mas, agora temos, infelizmente, que interromper esse delicioso papo, (fala, levantando-se) pois eu tenho de entrar em cena. O espetáculo não pode parar! (fala com a voz impostada, soltando um beijo com a mão) Você é a gatinha mais simpática desse elenco. Quero, ainda, fazer muitas peças com você. Tá sendo uma delícia contracenar contigo. Você é uma excelente profissional e uma grande amiga. (corta a luz)

 DIRETOR: (para o Robério) Eu acho que eles têm razão: esta cena na delegacia está mesmo enfadonha. Vou ver como vou dar umas cortadas no texto ou mesmo fazer um trabalho com os atores para tornar a cena mais dinâmica.

 ROBÉRIO: O Getúlio está arrastando muito as falas do Policial 02.

 DIRETOR: A coreografia ainda não tá muito legal. Precisamos trabalhar mais os atores, integrá-los mais aos dançarinos. Eu não quero sentir diferença nenhuma, no palco, entre ator e dançarino… Eu estou gostando muito da Adriana. A interpretação dela está super realista.

 ROBÉRIO: O Júlio é um baita ator e está trocando muito energia com ela. A gente percebe os olhos dela brilharem ao interpretar o personagem.

 DIRETOR: Esta cena está também muito legal. Ajuda o pessoal a montar o cenário, que eu quero discutir a luz do terceiro Ato com o iluminador. ( o Capitão bate com a escada no refletor) Porra, vai derrubar o Teatro?

 ILUMINADOR: Eu subo lá para corrigir o foco. Cara! deixa a escada aí que eu vou subir.

 DIRETOR: Coloca uma gelatina azul. Eu tou achando muito branca essa cena.

 ILUMINADOR: Você quer que eu mexa em mais algum refletor.

 DIRETOR: Não, eu só queria que você colocasse em reostato a geral branca e desse um pouco mais de azul nessa cena. Aproveita um pouca da iluminação da cena do morro.

 3º Ato

 Cena 07  (no Escritório do D.P.)

 D.P. : Jota, eu te chamei aqui prá saber que movimentação é essa de polícia no pé do morro.

 JOTA: Esconderam uma granfa num barraco.

 D.P. : Puta que pariu! Estes filhos da puta não aprendem a trabalhar direito. Levam uma porra de uma granfina prá lá, só prá atrapalhar o meu comércio.

 JOTA: Cheio de cana, desse jeito, num sobe nenhum bacana prá comprar o pó.

 D.P. : Isso é coisa de Paraíba, levar uma seqüestrada prá lá. Seqüestro é coisa prá profissional. Tem de ser um trabalho organizado. Tem que rolar uma boa grana, prá se alugar uma casa, num lugar que não dê bandeira. Não é trabalho prá bunda suja, prá liso. Tu fazes o seguinte, Jota: junta dois cabras bons, vai lá no Manuel do Boteco, arrocha o homem e descobre onde tão esses boiolas. Descoberto o barraco, tu vais lá com uns capangas meus e pode ferrar os otários. Aprendiz é prá morrer, prá deixar de querer dá um de bacana. 

 JOTA: Tudo bem, qualquer coisa eu ligo.

 D.P. : Vamos evitar ao máximo o uso do telefone, principalmente o celular. Estão agora rastreando os telefones e a gente precisa ter muito cuidado com os grampos. Todo dia a gente lê nos jornais e vê na televisão a descoberta de escândalos, e como você mesmo sabe, eu tenho que estar muito longe deles. A nossa vida: a minha, a sua e a de muita gente, depende de meu nome não estar envolvido em nenhum escândalo. Se pintar sujeira, você trate de não envolver meu nome em nada, pois, caso contrário, eu não vou medir esforços prá mandar pro inferno quem abrir o bico e você já me conhece a muito tempo e sabe que eu não sou homem de voltar atrás. Precisando contactar comigo, use um dos aviões.

 JOTA: Pode ter certeza que a gente estoura os miolos desses idiotas.

 D.P. : Eu sei que eu posso contar contigo.

 3º Ato

 Cena 08  (no Camarim)

 ADRIANA : Júlio, você não me entendeu. Eu, Adriana Sales de Almeida, e não a Betty, te amo.

 JÚLIO: (Circunspecto) Sim, Adriana, eu entendi. O teatro é o meu trabalho. O teatro é o meu sustento. Eu vivo do teatro. Me visto do teatro. Esta é a minha profissão. Tenho dois filhos que comem do meu suor, que comem das minhas lágrimas. Eu tenho uma mulher que depende dos beijos que dou em outras mulheres. Que depende do talento que tenho de fazer o público sorrir e chorar quando eu quero. Menina, você, ainda,  é muito moça e o palco é uma fantasia. Fantasia que deve envolver a todas as pessoas, que pagam por ela e não nós, que somos pagos por ela. Minha garota, eu te amo, como a minha arte e o meu público. Não se deixe envolver por um sentimento que não faz parte de sua verdade. Minha flor, eu tenho o maior carinho por você. Eu tenho a maior paixão por seu trabalho. Talento, poucos o tem e você é uma privilegiada: a arte corre nas tuas veias, como o teu sangue. (pega-a pelo queixo e fita-a bem dentro dos olhos) Sorria! O público precisa de teu sorriso, precisa de teu amor. É importante que eu receba, todos os dias, esta tua energia. Eu preciso que a Betty me tenha, todos os dias, um grande amor. Eu quero te ver feliz nos braços de muitos homens e deitando com teu amor.

 ADRIANA : (sai correndo e chorando. Sai luz e entra acordes fortes em B.G.)

 DIRETOR: Anda Júlio! Vamos preparar a cena do Boteco. (para a Repórter) Menina, troca lá o teu figurino. Você vai já entrar em cena.

 REPÓRTER: Você quer mesmo que eu vista o figurino?

 DIRETOR: Eu acho muito bonito esse teu top mostrando a tua plástica, mas se está todo muito ensaiando já com o figurino por quê a princesa não pode vestir o seu.

 REPÓRTER: A saia ficou frouxa.

 DIRETOR: Meu amor, pede para a camareira dar um ponto falso. Dá lá teu jeito e me coloca a merda dessa roupa. (para o Robério) Eu fico puto com ator se metendo na minha direção.

 ROBÉRIO: E essa menina tem síndrome de Diretor. Dá palpite nas cenas dos outros. Eu gostei muito quando você a colocou para fazer a Cena da Patrícia. Ela ficou cheia de perna.

 DIRETOR: Era para ver se ela se mancava. Não é fácil quando se está em cena. Cada ator é diferente e a direção tem de ser diferente. Esse povo chega aqui fedendo a leite, cheio de teorias e quer dar palpite no trabalho da gente. Se essa menina apurrinhar muito eu vou mandá-la para a puta que pariu.

 ROBÉRIO: Tá trepando com o produtor  e chega aqui cantando de galo.

 DIRETOR: Não é isso não, é porque ela é chata mesmo. Fica lendo muita teoria e pensa que pode aplicá-las todas na primeira peça que participa.

 ROBÉRIO: Mas que a bicha é gostosa, isso ela o é.

 DIRETOR: Mas eu não posso comprometer a minha peça por causa de toda carinha linda que aparece aqui. Teve talento, deu no papel, tou contratando.

 ROBÉRIO: Mas uma carinha bonitinha também agrada ao público.

 DIRETOR: Que agrada, agrada. Eu acho importante esse visual bonito, desde que tenha também talento. Uma peça de teatro, no meu entender, deve misturar: um tema interessante, sensualidade e expressão corporal. Deve ter música e dança, além do elemento surpresa. Este é fundamental. Eu quero que meu público saia de minhas peças pensando um pouco sobre o que assistiu. Teatro é arte e entretenimento, mas é também, um excelente veículo para discutirmos temas sérios, sem perder o bom humor, típico de nosso povo. Vamos lá para a Cena do Boteco.

 3º Ato

 Cena 09  (no Boteco)

 JOTA : Mané, o D.P. quer saber onde tão os caras com a dona, a granfina.

 COMERCIANTE: Eu não sei de granfina nenhuma.

 JOTA : Mané, eu não vim prá conversar não. Eu vou repetir só mais uma vez: o D.P. quer saber onde tá a dona (puxando o canivete) e me deu carta branca prá descobrir o barraco.

 COMERCIANTE: Foi o Zé do Trilho que a trouxe para cá. Tá lá no barraco dele com o Tiú, o Capitão e o Cabeleira. (fecha a luz. Som de tiros e gritos. Abre a luz. No cativeiro quatro corpos se encontram no chão e uma repórter faz a sua matéria)

 REPÓRTER : Estamos transmitindo, ao vivo, direto do Morro da Rocinha, zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. A Polícia carioca estoura o cativeiro da esposa do empresário alemão Herbert Hoffmann. Após 68 dias de cativeiro a brasileira Patrícia Hoffmann é salva, pela polícia carioca,  das mãos dos seus seqüestradores. Os meliantes eram em número de quatro, identificados, por populares, somente pelos pseudônimos: Zé do Trilho, Tiú, Capitão e Cabeleira. Os corpos, ainda se encontram no mesmo local em que a jovem Patrícia foi mantida em cativeiro, esperando pela perícia da Polícia Técnica e pelo rabecão do Instituto Médico Legal. Estamos agora com a senhora Ticiana Braum, presidenta Carioca da Sociedade Brasileira de Defesa dos Direitos Humanos.

Bastidores7

 TICIANA: É inadmissível que a polícia brasileira haja com tanto rigor no tratamento destes desprivilegiados da sorte. Cabe à sociedade civil brasileira e as autoridades constituídas, outrossim, provirem para que estas pessoas tenham, também, o direito ao estudo e à moradia decente; para que não venham a cometer tais crimes, em atos extremos, como forma de manutenção de sua integridade enquanto cidadão.

 REPÓRTER : Está aqui presente, também, acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, o líder do governo na Câmara: deputado Artur Guedes da Fonseca Filho. Deputado, o senhor, como representante do povo, o que pensa sobre a forma de atuação da polícia carioca?

 D.P.: Antes de mais nada, eu gostaria de cumprimentar o seu público e parabenizá-los pela excelente cobertura que sua emissora de televisão vem dando ao caso e a tantos outros casos. É papel da imprensa esclarecer à população sobre os fatos que ocorrem em nossa cidade e em nosso país; como também, é papel do digno representante do povo acompanhar o fiel cumprimento da lei e trabalhar para que os anseios da população sejam efetivamente satisfeitos. A população deste estado e a população deste imenso país já não agüenta mais o crescente aumento da criminalidade. É preciso criar leis mais severas, é preciso institucionalizar logo a Pena de Morte para crimes hediondos. É preciso dar apoio à nossa Polícia, que luta bravamente contra essas corjas de desocupados. Quero aproveitar o ensejo para parabenizar o Delegado Paulo Bonaparte, pelo brilhante trabalho que vem desenvolvendo em nossa cidade. Ele está limpando o nosso belo e amado Rio de Janeiro, desses vagabundos.

 REPÓRTER : Delegado Paulo Bonaparte, comandante das operações aqui no morro, o senhor, também, é partidário da idéia de combater fogo com fogo? Que a única voz que o marginal respeita é o som da bala?

 DELEGADO: Minha cara Mirela, antes de responder a tua pergunta, gostaria de fazer de minhas as palavras proferidas, a pouco, a uma outra rede de televisão,  pelo Dr. Hoffmann, esposo da vítima, que dizia: “ os familiares das vítimas devem confiar inteiramente na polícia e não se submeter aos seqüestradores. É importante que não se pague o resgate. A Polícia chegará aos seqüestradores, com a ajuda da população. O pagamento de resgate fomenta novos seqüestros.”  Respondendo a sua indagação, depois de um trabalho investigativo estafante como este, o que posso dizer para os telespectadores é que, felizmente, conseguimos salvar a vida de uma jovem e promissora brasileira.

 PAULA : (aos gritos) Diretor! Diretor! (acende a luz da Platéia) A Adriana suicidou-se no Camarim.

 DIRETOR: Meu Deus! (black out)

 OFF: Esta obra é pura ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera casualidade. (geral palco. Todo o elenco dança o Samba Enredo coreografado)

 CAI O PANO

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Ciudades Dormitorios, una cuestión que llegó a la Prensa.

Marta Belver hace la siguiente pregunta: ”¿Las ciudades dormitorio tienen los días contados?” en un articulo por ella firmado y publicado en el área de Actualidad del periódico El Mundo número 483 de 16 de marzo de 2007. En el, la señora Belver vuelve a los años 60, tiempo en que, según ella: “[asistíamos] al nacimiento de las primeras ciudades (también barrios) dormitorio de Madrid”, una forma de ocupación urbana que se tornó muy común en diversas partes del mundo, principalmente cuando estos espacios estaban ubicados próximos a ciudades que se desarrollaran en la medida de expulsar parte de su población a áreas más lejanas y, quizás, más tranquilas. Para ella; “hoy, la mayoría de aquellos núcleos urbanos donde sus residentes sólo iban a dormir se han independizado, transformándose en urbes con todas las dotaciones”.

Para enriquecer su artículo, la señora Belver invitó el profesor Juan Díez Nicolás, catedrático de sociología y fundador del Departamento de Ecología Humana y Población de la Universidad Complutense de Madrid, a opinar sobre la cuestión, el profesor afianza: “sin embargo, no es extraño que se sigan desarrollando complejos residenciales que preserven su privacidad, por lo que surgirán centros comerciales que cubran las necesidades de varias poblaciones” y añade: “en la actualidad hay mucha gente que vive en Toledo o en Ciudad Real y viene todos los días a trabajar a la capital. No se pueden considerar ciudades dormitorio en el sentido de antes, pero esas personas realmente no son residentes en las urbes manchegas”. Por otro lado, el arquitecto y urbanista Joseph Oliva, otro profesional invitado por Marta Belver para hablar en su artículo, piensa que deberían desaparecer esas localidades de paso, para el arquitecto es un “grave error”, utilizándose de sus propias palabras, el califica esos lugares como: “grupos de viviendas segregadas, barrios que dan espalda a la calle, volcados hacia dentro…son como guetos”, concluye. Luis Enrique Otero, historiador y coordinador de un grupo de investigación sobre Madrid, también invitado por la periodista para externar su opinión en el articulo,  comenta: “se trata de un fenómeno que apenas tiene diez años en España y que todavía no presenta problemas de convivencia, pero no se actúa en la segunda o tercera generación puede comenzar la marginalidad”. Aprovechando o que ha visto en las experiencias de los modelos desarrollados en ciudades o mismo en países vecinos, el historiador afianza: “el británico ha optado por el multilateralismo, la instalación por barrio en función de la nacionalidad, lo que acaba produciendo una guetización que plantea serios problemas. El francés, por el contrario, es integracionista, pero ha acabado derivando en núcleos con ventas bajas cuyos residentes están discriminados por razón de raza, religión…un hecho acentuado después del 11-S [el atentado terrorista que destruyo las torres gemelas en Nueva York]”, en seguida agrega: “las administraciones publicas madrileñas y españolas todavía están a tiempo de actuar sobre esa realidad de la inmigración para evitar que se repitan este tipo de situaciones”. Otero apunta que las ciudades dormitorio en Madrid, la mayoría situadas en el eje entre las carreteras de Barcelona y la de Extremadura, crecieron de manera rápida y con graves carencias de infraestructuras y servicios, para el: “ahora esas zonas han mejorado en todos los aspectos hasta convertirse en espacios urbanos que ya no pueden ser descritos como ciudades dormitorio”.

Considerando una perspectiva un poco más teórica, el arquitecto y urbanista Joseph Oliva propone sustituir las formas de desarrollo urbano que se quedaran apellidar de ciudades dormitorio por un concepto acuñado por el arquitecto Fernando Chuenca Goltía de las ciudades publicas. Para él: “la idea es tomar como referente (no hacer una mimesis) la urbe histórica y actualizarla en las cuestiones que haga falta, introduciendo variaciones y, sobre todo, modernizando las dimensiones y la escala. Por ejemplo, no puede haber ciudades nuevas con siete metros de calle. Yo creo que el futuro es éste, porque es el modelo menos insostenible”.

Para desarrollar eso articulo, la periodista Marta Belver ha invitado un arquitecto, un sociólogo y un historiador, personas con capacidad académica y conocedores profundos de la cuestión, para ofrecer a los lectores visiones distintas de lo mismo tema. Y es, en verdad, lo que se puede intuir después de leerlo de manera muy atenta. El historiador se ha preocupado con el tiempo muy corto del recorrido, del surgimiento de las ciudades dormitorio, sólo 10 años y no más, para hacer un juicio de valor sobre la cuestión. Hay intentado encontrar contestaciones para la cuestión en los modelos desarrollados en los países vecinos: un británico segregacionista y un francés integracionista. El modelo británico está quitando por producir una guetización y  lo francés está generando una gran discriminación de razas y religiones. El historiador deja como alerta, para los lectores, su preocupación con la inmigración creciente que está ocurriendo en toda España, que es, en su opinión, lo gran vector de la producción de las ciudades dormitorio. Ya el sociólogo piensa que es un facto, que está ocurriendo, que las personas trabajan en un lugar y viven en otro, apunta hasta algunos ejemplos, sólo no puede, en verdad, fijar que son estos lugares de vivir, las ciudades dormitorio. Por fin, el arquitecto, lo más contundente de todos los invitados, está frontalmente en desacuerdo con el nombre ciudad dormitorio y propone crear el vocablo ciudad publica, un lugar modernizado en la justa medida de dimensiones y escala en que se encuentra la ciudad.

DE LA CIUDAD INDUSTRIAL A LA FASE DE LA DESCONGESTIÓN:

Para que se pueda comprender la cuestión presentada por el artículo del periódico, es necesario, que se vuelva un poco al pasado para intentar entender el surgimiento de la ciudad industrial, su diseño, y la forma de su utilización por los que en ella trabajaban y vivieron, así como la congestión que ha ocurrido tiempos después y la huida de la población para la periferia de las gran ciudades, el un periodo que se convenio llamar de descongestión.

Para empezar la presentación de la ciudad industrial es interesante la utilización de una frase muy fuerte que Lewis Mumford ha escrito en su libro La Ciudad en la Historia, y que pone los debidos tonos de grises en la realidad enfrontada por la población mundial que convivió con el desarrollo de la tecnología de la producción en serie. El dice: “El industrialismo, la principal fuerza creadora del siglo XIX, ha producido lo más degradante ambiente urbano que el mundo jamás ha visto, en verdad, hasta mismo los barrios de las clases dominantes eran inmundos y congestionados”.

Es verdad que la urbanización creció en la misma razón que la industrialización y que la producción en serie no ha comenzado en el siglo XIX, pero desde el siglo XVI el hombre hubo desarrollado maquinas a ayúdalo en las actividades cotidianas, en el campo. Las maquinas utilizaban una serie de medios de propulsión, desde la horca de los animales, hasta las corrientes de los arroyos. Todavía la forma más empleada en las fincas rurales, para mover las maquinas, fue la generada a partir del carbón. “El empleo de la maquina de vapor de Watt como el primero motor cambió todo eso: en particular, cambió las dimensiones y tornó posible una concentración muy grande tanto de las industrias cuanto de los obreros” (MUMFORD, 1998). Esa fue la llamada Revolución Industrial, que en su cumbre ha cambiado, con gran intensidad, también el comportamiento de los seres humanos dentro de las ciudades. Si antes los artefactos desarrollados a ayudar el hombre en sus actividades cotidianas se encontraban en el campo, el sistema fabril, decurrente de las maquinas que funcionaban con vapor, que podían, como ha sido visto a poco, ser concentradas, demandaban un significativo número de personas en el proceso de producción, de la misma manera que era importante que se tuviese un mercado consumidor representativo a garantizar la compra de los productos desarrollados. “En los territorios recientemente abiertos en el planeta, originariamente poblados por acampamientos militares, tiendas de comercio, misiones religiosas, pequeñas colonias agrícolas, surgió una inundación de inmigrantes de los países que sufrían con la opresión política y la pobreza económica” (MUMFORD, 1998).

Fue entonces, el momento en la historia de la humanidad que un número significativo de personas, en diversas partes del mundo, principalmente en las que quedaran desarrolladas con la presencia de la nueva tecnología, salió del campo y empezó a tener los sostenidos de sus vidas en las ciudades. Crecieron, pues, los espacios urbanos en un corto espacio de tiempo. Según (GALANTAY, 1977) “ la propia cuidad se crea a albergar la fuerza de trabajo necesaria y su emplazamiento se elige en función de necesidades encontradas que persiguen maximizar la accesibilidad y evitar al máximo el ruido, la polución y el tráfico generados por la industria”.

La ciudad industrial pasa a tener nuevos elementos a componer el paisaje urbano. Como una forma de dar combate a los efectos maléficos de los residuos de la producción industrial, los urbanistas empezaran a crear grandes áreas verdes dentro de las ciudades, de modo a dividir: la región de concentración de la producción fabril de las manzanas destinadas a las familias de los obreros, y también en sus alrededores, de modo a garantizar una mejor calidad de vida para el hombre que habitaba el espacio urbano. Según (GALANTAY, 1977) “el esquema básico de Miljutin [ciudad que integraba la antigua Unión Soviética] consistía en seis zonas paralelas: una zona ferroviaria; la zona industrial; una zona verde de al menos 500 m de anchura atravesada por una carretera principal; la zona residencial; y la zona de recreo…”. La muralla que componía la ciudadela y que separaba, en la Edad Media, el Señor Feudal de los campesinos, ahora se convirtiera en una masa verde que separa la Industria, como el Castillo del Señor Feudal, de la clase obrera, como obreros fueron los campesinos de aquellos tiempos. La gran diferencia de ahora es que la muralla verde sirve, teóricamente, para proteger los obreros contra los efectos maléficos de la producción industrial.

Un otro componente que se debe dar también lo merecido relieve, dentro del diseño de la ciudad industrial, es el ferrocarril que sirvió para transportar los grandes volúmenes producidos por las áreas fabriles. De modo a completar esto escenario industrial del siglo XIX se debe añadir la carretera, que tanto sirvió para mover los productos desarrollados por las fabricas, sino también las personas que suelen componer todo ese proceso de producción en serie. La posibilidad de recreo o ocio es algo que sólo quedó ocurrir mucho tiempo después, principalmente por la fuerza de las legislaciones desarrolladas para proteger los obreros. Para esto fin equipamientos urbanos, no destinados directamente al trabajo, pero al obrero,  empezaron a componer el nuevo escenario urbano. “Las aldeas se expandieron e se cambiaron en ciudades, las ciudades se cambiaron en metrópolis. El numero de centros urbanos se multiplicaron, el numero de ciudades con población mayor que quinientos mil habitantes también crecieron. Cambios extraordinarios de escala en las masas de edificaciones y en las áreas que ellas cubrieron..” (MUMFORD, 1998).

Dentro de eso escenario de crecimiento rápido y desenfrenado, la preocupación con la industria y con los medios de producción suplantaron el pensamiento dirigido a la calidad de vida del hombre y a la ciudad donde vivía. El foco de todo el esfuerzo estaba en la producción para, a partir de ella se desarrollar un mejor producto que posibilitaba, al propietario de la fábrica, un mayor lucro. El Capitalismo empezaba su caminada para el cumbre. No existían leyes, en aquello momento, para la protección del obrero y de su ciudad. El hombre estaba embebecido con el poder que la maquina lo tenia dado. “Fue siguiendo lo que suponían ser la manera de la naturaleza que el industrial y el empleado municipal produjeron la nueva especie de ciudad, un amontado humano hundido y desnaturalizado, adaptado no a las necesidades de la vida, pero la mítica ‘lucha por la existencia’, un ambiente cuya propia deterioración era testigo de lo cuanto era impiedosa y intensa aquella lucha. No hubiera lugar para el planeamiento del  trazado de aquellas ciudades.  El caos no lo necesita ser planeado” (MUMFORD, 1998). La gran escena urbana, fácilmente encontrada en las ciudades que salieron en la frente, después de la Revolución Industrial, era de muchas fabricas, y en un proceso continuo de ampliación y concentración, a tiraren humo en el aire que antes ya había sido puro y con todos los olores del campo. Esta era la imagen de una ciudad desarrollada de la época. Los hombres, tuvieron un papel secundario en todo eso proceso, en sus luchas de todos los días, en un trabajo continuo y repetitivo, donde el gran objetivo del empleado era su especialización llena y su perfecta adaptación a su local de trabajo – el hombre objeto de la maquina. Habían hasta entrenamientos, y profesionales especializados, para mejor adaptar el hombre a su actividad productiva. El ser humano era sólo un componente de ese gran motor de la economía, la maquina. En esto periodo las universidades y los centros de investigaciones empezaran a presentar una serie de tesis sobre economía, medios de producción, capitalismo, administración; así como se comenzó a escribir sobre socialismo, comunismo, derechos humanos, relaciones en el trabajo. Grandes teóricos en estos temas surgieron en esta época y hasta hoy son leídos, contemplados y hasta acompañados.

Para las personas responsables en la ocupación del territorio urbano, la maquina era lo que más importaba. “Los lugares destinados a la morada eran, muchas veces, situados dentro de los espacios que sobraban entre la fabrica, los galpones y los pateos de los ferrocarriles…” (MUMFORD, 1998). El ferrocarril tuve tanta importancia en la época que grandes áreas próximas del casco histórico de muchas ciudades fueran vaciadas para acomodar las estaciones y la gran cantidad de espacio necesaria para que los trenes pudiesen hacer sus maniobras. Los ingenieros responsables por los ferrocarriles tuvieron, en aquello tiempo, mucho más importancia que los planeadores urbanos y los trenes ganaron un tratamiento mucho mejor que los propios hombres. Los trenes trajeron para los centros de las ciudades ruidos, polución y la propia ocupación de lugares destacados de las ciudades. As veces, las áreas destinadas a los trenes eran muy superiores a lo que en verdad necesitaban. “ Era muy frecuente que [las viviendas de obreros] fuesen construidas en tierras llenas de ceniza, vidrios quebrados y restos, donde ni mismo la grama podría dejar raíces; podrían estar al pie de una pirámide de residuo o cerca de un enorme montón permanente de carbón y escoria; día tras día, el malo olor de los objetos, el negro vomito de las chimeneas y el ruido de las maquinas a martillar…acompañaban la rutina domestica” (MUMFORD, 1998). Esta fue, en verdad, la solución más simples encontrada en la época, pues el señor de la tierra, donde fue construida la fabrica, también era el propietario de la industria y desarrollaba, con sus propios medios, una forma de garantizar una morada para sus obreros con sus familias. Una vivienda dentro de los límites de los terrenos de las fabricas. De una cierta forma, la garantía de una morada ponía los obreros bajo de hierros, pues la pérdida del trabajo implicaba también en la perdida de la morada, por peor que ella fuese. El obrero no tenía muchos argumentos para contestar su patrón, pues podría déjalo descontento y eso ser el vector de la pérdida del trabajo-morada.  La situación de morada de muchos de los industriales no fue así tan distinta de sus obreros. Varios de estos industriales, en muchas partes del mundo, también vivieron con sus familias dentro de los límites del terreno de la industria, compartiendo con  los obreros y sus familias, los mismos olores, ruidos y humos, símbolos del desarrollo tecnológico conseguido por el ser humano de aquello siglo. Es verdad, que las viviendas burguesas eran mayores y que también muchas de las viviendas obreras fueron construidas dentro de los límites del terreno de las fábricas, pero con puertas directas para la calle.     

En las ciudades industriales, no hubo, en verdad, una mayor preocupación con la calidad de vida en las viviendas, fuesen ellas pobres o ricas, ni con la calidad de vida en la propia ciudad. Los ojos estaban todos mirando sólo la industria y su producción. La solución para la morada de los obreros era algo que los industriales, por su cuenta y riesgo, intentaban encontrar. Otras soluciones de morada, para los trabajadores de las fabricas, fueran en la época también pensadas, pues la población obrera crecía en las ciudades desarrolladas y ni siempre había cuantidad suficiente de terreno, dentro de los límites de la fábrica, para alojar los obreros con sus familias. Para intentar solucionar ese nuevo problema de abrigo, ”los obreros fueron, en el principio, acomodados por medio de la transformación de viejas viviendas familiares en alojamientos para alquiler. En estas viviendas reconstruidas, cada cuarto pasaba a abrigar toda una familia…el sistema de un cuarto para cada familia ha vigorado por mucho tiempo. El amontado de camas, con tres hasta ocho personas de diferentes edades a dormir en lo mismo catre, agravaba mucha veces la congestión en los cuartos, en estos chiqueros humanos (MUMFORD, 1998). Eso tipo de morada aún es encontrada, en diversas ciudades del mundo, hasta lleno siglo XXI. En el Viejo Mundo, después de la creación de la Unión Europea y que la inmigración entre los países miembros fue naturalmente facilitada, buena parte de los inmigrantes, principalmente los que vienen de países más pobres, fijaron sus moradas en viviendas comunitarias como esas.

“El otro tipo de morada ofrecida a la clase obrera fue, esencialmente, una padronización de esas condiciones degradadas; existió, sin embargo, añadido un defecto: los proyectos y los materiales de construcción generalmente no tenían la decencia original de las antiguas viviendas burguesas; eran de construcción barata, sin base sobre el suelo” (MUMFORD, 1998).  Como bien ya fue visto, los principios de la ergonomía no fueron puntos fuertes de la producción de viviendas de la época, “miles de viviendas para los nuevos obreros…fueron construida fondo contra fondo…por eso mismo, dos de los cuatro cuartos no recibían la luz directa ni ventilación. No habían espacios abiertos, fuera los pasadillos entre las líneas dobles. Mientras en el siglo XVI era un delito, en muchas de las ciudades inglesas, tirar restos en las calles, en esas ciudades paleo-técnicas primitivas era ese el método normal de despejo. Los restos allá quedaban, por más fétido y inmundo, ‘hasta que el cúmulo inducidse a alguien a los coger para servir de estiércol’…Las letrinas, de una inmundicia increíble, se quedaban en sótanos; era también prácticamente común se tener chiqueros bajo las viviendas, y los cerdos volvieran a invadir las calles, como no hacían desde siglos, en las ciudades mayores. Había mismo una falta de retretes…’un retrete para cada 212 personas’ [en Manchester]. Mismo en un nivel tan bajo de urbanización, mismo con acompañamientos tan inmundos, no se construyeron viviendas en un numero suficiente en muchas de las ciudades y en esos casos, condiciones aún peores tenían el predominio. Los sótanos fueron utilizados como moradas” (MUMFORD, 1998), como también varias buhardillas fueron debidamente ajustadas para poder acomodar familias.

No sólo las viviendas contribuyeron para bajar la calidad de vida en las ciudades industriales, la forma de la colecta y el destino final de los residuos de esas viviendas añadieron malos olores y suciedades a las calles y a las áreas publicas. “Si la inexistencia de las tuberías y de la higiene municipal criaba un malo olor insoportable en esos nuevos barrios urbanos, y si la propagación de los excrementos expuestos, en conjunto con su infiltración en los pozos locales, simbolizaba una propagación correspondiente de fiebre tifoidea, la falta de el agua fue aún siniestra, es que alejaba por completo la posibilidad de la limpieza domestica o de la higiene personal…En las nuevas ciudades industriales estaban ausentes las tradiciones más elementares de los servicios públicos municipales” (MUMFORD, 1998). Aunque la tecnología se ha desarrollado para producir bienes que podrían dejar llenas las viviendas de la población del final del siglo XIX, no se había aun introducido, en las moradas, las tuberías de hierros que pudiesen llevar tanto el agua para la comodidad de las personas de las áreas urbanas, como para facilitar la retirada de los residuos domésticos. Ni también las letrinas habían sido perfeccionadas. Todo eso trabajo se quedaba en el encargo de las propias personas de la vivienda o de obreros domésticos, o mismo aún esclavos en algunos países menos desarrollados. Sólo después de 1830 que se quedaron al alcance de los grupos considerados económicamente medios y superiores “la iluminación y la estufa a gas, la bañera con las tuberías de agua corriente al alcance de todas las viviendas y un sistema de sumidero colectivo” (MUMFORD, 1998). Después de una generación de su implantación, fueron consideradas todas esas comodidades domesticas, necesidades básicas de la clase media. “El problema, para el constructor, era alcanzar un nivel moderado de decencia sin esas nuevas comodidades caras” (MUMFORD, 1998).   

Madrid se ha visto desarrollar en el siglo XIX una tipología bien característica  de moradas para las poblaciones con menor disponibilidad financiera. “Junto a las buhardillas y sótanos de las llamadas casas mixtas y los cuartos superiores, fueron también usuales las casas de vecindad o corralas dentro de los barrios burgueses del Ensanche” dice (BALDEÓN, 1986) y añade: “las casas de vecindad formadas por un corredor interior que distribuía los cuartos fueron, junto con las buhardillas y viviendas en pisos compartidos, las opciones más corrientes para la clase trabajadora…El hacinamiento dentro de estas corralas era realmente alarmante. Los cuartos, llamados ‘casas jaulas’, fueron también definidos como ‘moléculas habitables’ ”.

Con todo eso cuadro de la calidad de vida en las áreas urbanas y en las viviendas que, en las ciudades industriales, desfrutaba la población del final del siglo XIX y comienzo del siglo XX, era muy natural que algunas personas, principalmente las que disponían de alguna reserva de dinero, procurase un lugar mejor para vivir y crear sus hijos. Principalmente después que los ideales del movimiento romántico traían para cerca de la sociedad de aquella época, lo gusto y el placer de la vida en el campo. Fue, la impulsión producida por la falta de tranquilidad que la ciudad industrial ofrecía, asociada al deseo del encuentro del placer cerca del campo, que ha movido los primeros bien nacidos a construir viviendas lejas de los centros urbanos, primeramente como casas de verano, después como morada por todo el año.    

Fue, de verdad, ese desarrollo intenso de algunas ciudades, que terminaron por cambiarlas en metrópolis, con todas las oportunidades y amenazas características de los grandes aglomerados urbanos, que hizo con que una significativa parte de la población, después de analizar la situación actual, los pronósticos y los escenarios futuros, lograse perder el interés en continuar viviendo en estos espacios urbanos tan caóticos y intentase encontrar un lugar más tranquilo para estar con sus familias y crear sus hijos. Ervin Y. Galantay afirma en su libro Nuevas Ciudades – de la Antigüedad a nuestros días: “ las siguientes medidas estratégicas pueden servir para alcanzar estos objetivos: 1. el desarrollo de otras regiones de crecimiento. 2.  la creación de ciudades satélites. 3. la fundación de nuevas ciudades independientes. 4. la creación de una cuidad gemela o paralela”. Estaba entonces decretado el desarrollo de la periferia en las gran ciudades. “En la segunda mitad del siglo XIX, la superpoblación creciente y los servicios cada vez más imperfectos hicieron menos agradable la vida en los centros de las ciudades. Este factor se cambió con el movimiento romántico a convertir la vida en el campo en un ideal altamente deseado. Muchos pudieron hacer realidad este sueño cuando los ferrocarriles garantizaron un servicio rápido y adecuado entre los centros urbanos y sus alrededores ”, añadió (GALANTAY, 1977).

Lewis Mumford, para hablar de las fases del crecimiento suburbano y del modo de vida en la periferia, ha dicho: “se ha visto que, en periodos más antiguos, nuevos grupos y instituciones con exigencias mayores de espacios do que la podría ofrecer la ciudad densamente poblada, necesariamente pasaran a se fijar fuera de los muros, en pequeños enclaves suburbanos”, y complementa: “desde el comienzo, los privilegios y deleites de lo suburbanismo  quedaran, en gran parte, reservados a las clases superiores”. Mumford no pierde la oportunidad para hacer una crítica a una nueva visión de este mismo tipo de ocupación urbana, el dice: (MUMFORD, 1998) “en el movimiento colectivo en la dirección de las áreas suburbanas, se ha producido una nueva especie de comunidad, que constituía una caricatura así de la ciudad histórica como de lo refugio urbano arquetípico: una muchedumbre de viviendas uniformes, inidentificables, alineadas de manera inflexible, con distancias uniformes, en carreteras uniformes, con un diseño comunal sin árboles, habitado por personas de la misma clase, la misma renta, de los mismo grupo de edad, vendo los mismos programas de televisión, comiendo los mismos alimentos prefabricados y sin gusto, guardados en las mismas neveras, conformándose, en el aspecto externo como en el interno, a uno modelo común, manufacturado en la metrópolis central”. Después de se mirar atentamente las palabras de Mumford, fácilmente se puede observar que ello se refiere a dos instantes distintos: un primero en que la población más adinerada ha elegido la periferia por la calidad de vida que pudiese encontrar por allá y un segundo, cuando el sector inmobiliario resolvió investir en la periferia porque han encontrado por allá los terrenos de menor costo de adquisición, por una razón muy clara: se encontraren bastante lejos de la infraestructura urbana.

Esa migración de poblaciones desde la ciudad hasta las regiones de la periferia, se fue después nominada, por los estudiosos de los fenómenos sociales, de Descongestión y, según  (GALANTAY, 1977), eso ocurrió porque “toda ciudad tiene un tamaño óptimo, un ‘umbral’ pasado el cual la creación de más puestos de trabajo y más alojamientos resulta excesivamente costoso”. El ferrocarril fue el medio de transporte que facilitó, y mucho, el flujo de personas; pues tanto era capaz de llevar y traer un volumen significativo de pasajeros, como también tenia una gran velocidad y no enfrentaba el trafico ya común el las ciudades de aquella época. Un otro factor que combinó con el medio de transporte y favoreció a eso flujo migratorio continuo ciudad – periferia fue el movimiento romántico que tenia como concepto basilar: “convertir la vida en el campo en un ideal altamente deseado” (GALANTAY, 1977), que en su libro, al hablar de la cuestión, pronto añadió: “los suburbios prometían un entorno agradable y tranquilo y pronto mostraron un esquema característico de uso del suelo…en lugar de una cuadrícula, con sus líneas rectas que estimulan un tráfico rápido, Olmsted [de Illinois, Estados Unidos] propugnaba un tejido curvilíneo que produjese manzanas en forma de riñón o de forma libre”.  El movimiento romántico, asociado a un diseño menos ortogonal para la malla urbana y el deseo de traer los valores del campo para dentro de la ciudad, preparaban las bases de una nueva propuesta que no tardo a ser  presentada, la Ciudad Jardín.

EL SUBURBIO Y EL CONCEPTO DE UNIDAD DE VECINDAD:

La primera propuesta de ampliación de un nuevo tipo de ciudad veo de la cabeza creativa del español Arturo Soria y Mata, que en 1882, por tanto ya final del siglo XIX, lanzó la idea de su Ciudad Lineal que fue implantada diez años después en la periferia de Madrid, más precisamente a 7 km de su centro, en una distancia de 50 km de longitud. Esa región, que quedaba a noreste de la actual capital de España, seria “formada por grandes manzanas de viviendas unifamiliares situadas a lo largo de una línea de tranvía” (GALANTAY, 1977). Exactamente en el año en que Arturo Soria conseguía implantar su propuesta, el inglés Ebenezer Howard proponía su Diagrama de Ciudad Jardín. Era una nueva ciudad autosuficiente de unos 30.000 habitantes. “La Ciudad Jardín combinaría las ‘ventajas de la vida urbana intensiva con la belleza y los placeres del campo’ (GALANTAY, 1977).

“Se definía oficialmente la Ciudad Jardín como una ‘ciudad diseñada para una vida y una industria saludables; de un tamaño que haga posible la plenitud de la vida social, pero no más; rodeada por un cinturón rural cuyos terrenos fuesen totalmente de propiedad publica o de propiedad colectiva de la comunidad’. La ciudad ofrecería los suficientes puestos de trabajo para reducir los desplazamientos al lugar de trabajo y estaría confinada en sus dimensiones óptimas por un cinturón verde permanente” (GALANTAY, 1977). La idea central de Howard y de varios otros urbanistas que quedaron estudiar y planear las ocupaciones suburbanas era de que el ferrocarril seria la manera más rápida e más tranquila de transportar las personas, y que hubieran paradas a cada ocho o mismo cuatro kilómetros. Los obreros que vivieron en la periferia, en el principio, no tenían sus propios coches para se transportar desde el trabajo hasta la vivienda y desde esta hasta los espacios de estudio, compras, ocio y otras necesidades básicas de la vida domestica. El principal concepto para el urbanismo del final del siglo XIX y principio del siglo XX era de una periferia fragmentada y toda cercada por áreas verdes. Ciudades autosuficientes de unos 30.000 personas, que valoraba las áreas peatonales. El hombre que vivió en la industria sin calidad de vida tuviera esa oportunidad en la vivienda. Una casa con el olor y los sonidos del campo. Un deseo coherente con el movimiento romántico de la época.

Muchas ciudades empezaron a tener sus periferias, principalmente las que después se cambiaron en Metrópolis o Mega ciudades. Tanto la calidad de vida era mejor que en los centros urbanos, como los costos, a principio, se quedaron mucho menores. “La ciudad se asentaría en terrenos baratos, y el incremento de valores reales de las propiedades compensaría el coste de la urbanización y dejaría al final un sustancioso beneficio a los inversores” (GALANTAY, 1977). La propia población paso a desarrollar su capacidad de se unir para encontrar soluciones para sus problemas. Vivir en comunidades, como vivieron cuando en el periodo de las aldeas. Un sentido de unidad de vecindad. Una idea de trabajo conjunto para el bien de la colectividad. Un ideal ni siempre compartida por todas las personas que quedaban vivir en la periferia.

LA INFLUENCIA DEL MEDIO AMBIENTE EN LA CALIDAD DE VIDA:

Verde es la naturaleza. El verde y el azul son los colores más presentes en los espacios que el hombre vive. El verde pasa tranquilidad, calma, esperanza, según los teóricos de la Gestalt. Todos esos adjetivos no ocurren de forma gratuita, tienen su razón para existir y parte de esas razones están centradas en los conceptos del conforto ambiental.

El hombre, y buena parte de todos los animales, respiran y ponen en el aire el residuo de esto acto, que es el gas carbónico. Las plantas son las responsables, a través del proceso de la fotosíntesis, de retornar para el medio ambiente el oxígeno esencial para la vida de los seres humanos. El hombre depende, entonces, del verde para existir. Sin el verde no habría vida para el ser humano.

Otra importancia del verde en las ciudades es su capacidad de cambiar el microclima. “Los árboles son el elemento fundamental para mejorar el microclima de la ciudad. Sus acciones son múltiplas: controlan la radiación, aumentan la humedad, frenan el viento, fijan los contaminantes del aire, proporcionan efectos psicológicos y ornamentales sobre la población. También son un indicador biológico de la presencia de contaminantes peligrosos, o como captador de microorganismos” (GARCÍA, 2001). Es importante que las ciudades o otros núcleos urbanos tengan su verde no de forma aislada, pero de manera a se constituir en una red. Espacios que se abren en medio a las edificaciones. Áreas urbanas para mantener la vida del ciudadano y hoy, también, para garantizar su calidad de vida.

Son, en verdad, los árboles un de los agentes más importantes para controlar la radiación del sol sobre el suelo. Esto es un factor muy significativo para la creación de un microclima bajo los árboles. En países cuyas medias térmicas anuales son más elevadas, esto componente de la naturaleza y hoy, también, de las ciudades es de fundamental importancia para evitar que una buena parte de la radiación, que se origina del sol, venga a ser reflejada por los materiales puestos sobre el suelo, o el propio suelo, y colaboren para calentar aún más el medio urbano.  

Otro dato muy importante es que la vegetación colabora para aumentar la humedad. La sequedad ambiental produce una disminuición de la sensación de confort para el hombre. El cuerpo humano pierde agua para el medio ambiente y eso altera el metabolismo del hombre, haciendo con que desde pequeñas heridas puedan aparecer sobre su piel, hasta un comprometimiento mayor de la salud del ser humano por una perdida significativa del agua corpórea.

Frenar el viento, es otra contribución ofrecida por los árboles. Las pequeñas hojas presentes en la vegetación sirven como una barrera natural para disminuir la velocidad del viento. Es como se fuera un filtro, que no impide que el viento continúe su camino, más que ayuda para que su velocidad de trajito sea significativamente disminuida. En países cuyas medias térmicas anuales son más bajas, esa protección ofrecida por los árboles es muy importante, pues velocidades mayores del viento sobre la piel del hombre generan una retirada más rápida de calor corpóreo, produciendo una baja sensación de confort térmico.

Finalmente, los árboles son agentes importantes para la fijación de los contaminantes del aire, tan presentes en las ciudades de hoy en día y también sirven para proporcionar efectos psicológicos y ornamentales sobre la población, como es observado en parques urbanos presentes en la gran mayoría de las ciudades contemporáneas. Después de la creación del Central Park en Nueva York, se cambiaron algunos conceptos añadidos a las áreas verdes urbanas. No sólo la necesidad física, real, de sostenibilidad de la vida humana, pero todavía como una forma de garantizar el placer y el ocio del hombre estresado con la vida urbana conturbada. Eso efecto psicológico de pasar para el hombre un cierta tranquilidad,  así como la posibilidad de utilización de las áreas verdes para la practica de actividades deportivas, para el ocio, o para el simples placer de mirar una naturaleza bela, demandaron de los urbanistas la creación, cada vez más, de espacios urbanos para esos fines. “Para la planificación urbana interesa la escala local, es decir, el microclima, cuyos rasgos pueden verses influidos por factores del entorno próximo (relación de espacios edificados o libres, vegetación, agua, montaña, etc.) y además puede ser alterado por el propio planeamiento, por lo que se establece una clara interacción entre ambos” (GARCÍA, 2001).

Los obreros de las periferias y todas las personas que viven en las áreas lejanas de los centros urbanos, o mismo en los centros urbanos congestionados, pueden hoy desfrutar, cada vez en mayor cantidad, del placer de esto convivir con el verde, que tanto garantiza su propia existencia, como también lo añade la tranquilidad necesaria para la calidad de vida en la sociedad posmoderna. Esa sociedad que valora tanto la imagen. Esta nueva sociedad que se caracteriza por la diversidad, por un consumismo con un objetivo mayor do que lo simples tener, que es, lo de mostrar a todos que tiene, por la existencia de muchas culturas viviendo juntas, por la superficialidad, por lo efímero, y por la presencia masiva de personas en los espacios colectivos, la muchedumbre, con costumbres, lenguas y maneras de ser y se comportar distintas – los grupos y los guetos. Hay un flujo muy intenso de personas de lugar para lugar. Los medios de transporte y de comunicación están facilitando la movilidad humana. La información y la imagen son los primeros vectores de ese flujo continuo de personas. Para (AMENDOLA, 2000) “la ciudad nueva es frecuentemente una ciudad…donde el desarrollo es ficticio, y es una ciudad que esconde detrás de las fachadas la degradación…los escenarios espectaculares de la ciudad postmoderna de la simulación y de las ilusiones, están aquellos que, excluidos de la representación y del sueño, deben vivir una ciudad real y dura, directa y áspera continuación de la ciudad industrial…”. Se vive hoy en una ciudad fragmentada, dividida por las carreteras y por las líneas de ferrocarril, que unen y apartan, por una diferenciación en la utilización del suelo, por una intensa y presente segmentación social – “los muy ricos y los muy pobres son visibles espacialmente” (AMENDOLA, 2000), por un individualismo favorecido pela masiva presencia de productos individuales: no hay más la necesidad de compartir las cosas, pues esas fueran miniaturizadas y personalizadas. “’Contextualismo, historicismo, búsqueda de la ciudad, regionalismo, anti-universalismo, pluralismo, collage, autoreferencialidad, reflexivilidad, atención a la imagen, al decoro, a la escenografía, superficialidad, falta de profundidad, efímero, fragmentación, populismo, falta de política, carácter comercial, pérdida de la fe y ironía’ parecen ser los elementos diversamente combinados entre si pero constantes en la nueva ciudad que acentúa cada vez más su carácter de escena. La ciudad panorama se transforma en ciudad espectáculo” (AMENDOLA, 2000).

LA CIUDAD DORMITORIO QUE SE CAMBIA Y SE FIJA:

Esto es el escenario de la sociedad posmoderna en que se vive. Una ciudad que se congestionó, un espacio urbano capaz de producir una huida del ser humano para la periferia, un área constantemente cambiada por el hombre, que tanto hace cosas que contribuyen para la destrucción de la naturaleza sino también, esto mismo hombre, es capaz de cambiar el escenario natural de manera a mejorar la calidad de vida de todos los que están en el alrededor. El hombre desarrolla, en cada día, más tecnología para hacer de su vida y de su local de morada o trabajo un lugar siempre mejor y con las actividades cotidianas facilitadas por los aparatos tecnológicos.

El hombre está procurando siempre su bien estar. Tanto cuando se habla de su confort económico, un mejor local de trabajo o empleo, un mejor sueldo para garantizar una vida más tranquila para si propio, como también para su familia.  Así como, esto mismo hombre, está procurando siempre un local que lo propicie una mayor comodidad en su vida cotidiana: proximidad de los locales de trabajo, estudio, compras, tratamiento de salud, ocio; así como locales donde sea más fácil el transporte, sea eso individual, representado por menor tráfico y mayores áreas para aparcar, sea eso transporte colectivo, un medio rápido de se mover y que produzca sólo pequeñas caminadas a pie.

La gran verdad es que el hombre tiene, con cierta tranquilidad, la posibilidad de elegir su destino, su futuro. Algunos teóricos proponen que la compra de una vivienda, de alguna manera, impide esa libre elección, pues se torna más difícil el cambio cuando se está fijado al suelo y esta fijación al suelo costa muy caro para esto hombre.

Tanto los gobernantes como los empresarios deben y están observando eses cambios de deseos del hombre contemporáneo. La imagen y la satisfacción de deseos son los puntos fuertes de la sociedad posmoderna. Los políticos ganan sus puestos con su imagen y la posibilidad que tienen de pasar para las personas, que por su medio, habrá cambios en las ciudades, y en los países.  Los empresarios, por su volta venden sueños y realizan deseos por una cierta cantidad de dinero.     

El hombre es, por naturaleza, un ser gregario, necesita pues vivir en conjunto, en colectividades. Ese ser humano está en constante cambio de la naturaleza para mejor ajustarla a sus intereses. Fue ese deseo de adaptar el espacio natural a sus intereses que ha hecho que eso hombre, con los materiales existentes en su alrededor, construyese viviendas. Un simples monte de piedras con un hueco abajo y se tenia una morada. Un tranzar de varillas de madera para después cubrir con arcilla, estaba hecha una nueva casa. Eso utilizar de su creatividad, para con los materiales existentes en su alrededor mejorar a su calidad de vida, siempre fue una característica del hombre, un ser pensante entre tantos otros animales. Ese ser humano se organizó en aldeas. En esas primeras ciudades hacia sus cambios para poder comer y proteger su cuerpo de la naturaleza, utilizando de trajes y de abrigos construidos. Esto mismo hombre construyo también murallas para protegerlo de otros hombres y para fortalecer sus dominios. Fue con su creatividad que desarrollo maquinas, para facilitar a su vida cotidiana, y fueran esas mismas maquinas que motivaron tanto cambio es su manera de se ajustar a los espacios edificados.

El deseo de ganar dinero ha hecho el hombre casi como un esclavo de la maquina. Muchos cambiaron sus sitios del campo para la ciudad para se encontrar con esa maquina de hacer dinero. El propio sistema pasó a demandar volúmenes cada vez mayores de personas a participar del proceso de producción, como también ocurrió la necesidad de mucha gente para comprar lo que las industrias producción. Aumentó la densidad en las ciudades. Aumentó también la polución con la concentración de las industrias. Disminuyó la calidad de vida, mismo con la presencia del dinero originado de las fábricas. El hombre fue tragado por la tecnología por el desarrollada.

Estaba muy difícil vivir en la ciudad industrial creada por el hombre para su confort y comodidad. Los científicos y otros estudiosos y investigadores de la época tenían que desarrollar un camino, encontrar una solución. Volver a la naturaleza se presentó como un camino y el verde pasó a hacer parte de las ciudades. El verde fue la pastilla para tratar de la ciudad enferma. Y, por alguno tiempo, la pastilla consiguió el resultado deseado. La ciudad vuelve a crecer y las metrópolis despuntan en el escenario de la posmodernidad.

Huir, fue el nuevo camino descubierto. El campo el nuevo objeto de deseo. Los ferrocarriles fueron desarrollados para llevar ese hombre hasta su refugio en la velocidad y en el volumen coherente con la ciudad industrial. Llega a descongestión. La ciudad se fragmenta: casco histórico, periferias y verde alrededor de los fragmentos. El coche pasaba a ser una opción para la necesidad de desplazamiento a  las grandes distancias. Grandes áreas para parquear abren grandes vacíos en las ciudades. Transportes públicos, materializados en autobuses, metros y ferrocarril, y privados, una variedad gran de coches de diversos tamaños y precios, a servicio de la movilidad urbana. Surgen las ciudades dormitorio. El local de trabajo no era más lo mismo local de morada, donde se tiene la familia y se crean los hijos. Las familias también se fragmentan como las ciudades. La vida familiar se torna cada vez más difícil, padres e hijos están cada vez más lejos. También, para algunos, el local de estudio no era también el mismo local de morada.

La comunicación tenia que ser desarrollada para facilitar las actividades y aproximar, de una cierta manera, esas personas que tenían, a cada día de se quedar distantes. Los móviles y la Internet daban a eses ciudadanos de la sociedad postmoderna la ilusión de proximidad. No se intentaba cambiar las razones del distanciamiento familiar, se desarrollaba una nueva pastilla para minimizar los impactos de los cambios. Los efectos psicológicos y sociales también empiezan a se presentar en la vida cotidiana. Familias que se apartan, hijos que desarrollan la individualidad. Nuevas pastillas son descubiertas, unas que equilibran el estado psicológico de las personas, otras que se preocupan con el físico: viviendas individuales, moradas compartidas, habitaciones cada vez menores pero con ordenadores portátiles, televisores hasta en coches, aparatos que reproducen músicas colgados en los oídos. La tecnología a servicio de disminuir los impactos de los cambios actuales. Los problemas de las distancias no son solucionados pero la tecnología facilita la comunicación de las personas que se quedan cada vez más lejas.

La ciudad dormitorio es una realidad como afirmado por el sociólogo Juan Díez Nicolás en el inicio de ese artículo. Y se va continuar existiendo hasta el instante que sea desarrollada no una pastilla para minimizar los impactos, pero una solución para el problema. La solución puede hasta ser crecer esas periferias hasta cambiarlas en unidades de vecindad, locales donde se pueda tener más cercano todas las necesidades básicas del hombre contemporáneo y ya referenciada en el inicio del siglo pasado por la Carta de Atenas: comer, vestir, trabajar, estudiar, hasta tener ocio, fundamental en la vida cotidiana tan llena de estrese. Puede ser la ciudad publica del arquitecto Fernando Chuenca Goltía, citado por el también arquitecto y urbanista Joseph Oliva en el inicio de eso trabajo. Puede hasta ser que la calidad de vida en ciudades dormitorio contrabalancee las distancias y los trastornos de los desplazamientos. En síntesis, como ha hablado el historiador Luis Enrique Otero en el articulo del periódico, ese fenómeno urbano es muy reciente y debemos estudiarlo con más atención y aprender con los errores y los aciertos de todos los pueblos que viven lo mismo problema. Encontrar, de facto, soluciones para no necesitar más de las pastillas que minimizan los impactos de la situación presente.  

BIBLIOGRAFÍA CONSULTADA:

AMENDOLA, GIANDOMENICO. 2000. La ciudad Postmoderna. Celeste. Madrid.

GALANTAY, ERVIN Y. 1977. Nuevas ciudades. De la antigüedad a nuestros días. Gustavo Gili. Barcelona.

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 HIGUERAS GARCÍA, E. 2001. Urbanismo Bioclimático. Gustavo Gili. Barcelona.

BALDEÓN, CLEMENTINA DÍEZ DE. 1986. Arquitectura y clases sociales en el Madrid del siglo XIX. Siglo XXI de España Editores. Madrid.